
A história é sobre Dóris, uma viúva sensual dona de uma pensão e que desperta o interesse de dois clientes assíduos: Freitas e Otávio. O primeiro é completamente seguro e machão, o segundo, tímido e hipocondríaco. Sempre próximos, os dois divagam sobre o presente e o passado, demonstrando situações corriqueiras de pessoas mais velhas, suas situações vividas, seus presentes difíceis, seus futuros incertos. Apesar de tudo não perderam a capacidade de sonhar, nem de aproveitar os momentos da vida.

Os três atores também contribuem para a história e a química dos personagens. Irene Ravache está na dose certa como a viúva sensata, mas com uma imensa alegria em viver. Marcos Caruso dá o tom certo ao seu Otávio atrapalhado. Agora, Lima Duarte rouba a cena com seu Freitas machão e hilário, nunca dando o braço a torcer e com tiradas incríveis.
Há também uma declaração de amor do diretor pelo seu Estado. Com as paisagens, o modo de viver e as comidas típicas mineiras sempre presentes na vida dos personagens que passam aquele dia a dia com bastante naturalidade. Nada é forçado nem imposto, apesar de explícito. O filme tem drama, comédia e romance em doses certas, construindo uma bela história e um bom divertimento. O roteiro de Susana Schild é bastante feliz ao dosar cada momento. É muito mais do que uma trama sobre um amor na terceira idade, é uma lição de amizade e companheirismo.