
Vários filmes falam da luta contra discriminação social e racial. Até mesmo o recente Besouro, apesar dos problemas técnicos é um avanço no assunto. Queria aproveitar o tema, no entanto, para expor o meu microdrama, feito em 2005 em um projeto da TV Bahia e TVE. Durante esses anos, recebi vários elogios e até uma pesquisadora me procurou para entrevista. Como toda arte, tiveram também algumas críticas negativas, que o acharam com uma linguagem publicitária e denúncia vazia. A linguagem publicitária, bom... Eu sou publicitária e não vejo algo ruim nisso. Cidade de Deus tem uma linguagem publicitária e é um excelente filme. Quanto a denúncia vazia, sinceramente não entendi o que a pessoa quis dizer.
Criei esse roteiro a partir de um relato de um estagiário meu em uma agência que trabalhava. Um garoto consciente, inteligente que chegou contando que foi abordado por um segurança em um supermercado conhecido quando procurava sua mãe. O segurança (que também era negro) achou a atitude de menino suspeita e o levou para insvestigação e revista alegando que o viu roubando um produto. O garoto ficou só de cueca e sofreu diversas humilhações, antes de ser liberado e reencontrar a mãe. Na mesma época, surgiu o edital do concurso, onde deveríamos fazer um roteiro de 1' 30" e os cinco melhores seriam produzidos e exibidos nos intervalos comerciais. Com essa história na minha cabeça, procurei simplificar a mensagem para conseguir passá-la em menos de dois minutos. A minha intenção era mesmo levantar o debate, jamais esgotá-lo. Gosto da solução final apesar de não ter participado diretamente da produção. A mim só foi permitido acompanhar, sem interferir muito. Vejam e digam o que acham.
Ah, aqui uma reportagem do Programa TV Revista da TVE. Não reparem na timidez da que vos escreve, hoje estou melhorzinha e conseguiria falar um pouco mais sobre o tema, impressionante o quanto a gente amadurece em 4 anos..