
Bom, dada a impressão fílmica, preciso me ater ao tema. A história, a princípio, parece mais uma da leva "professora com turma problemática que, com um método diferente, consegue colocá-los na linha". Não é. Escritores da Liberdade é baseado em uma história real e traz uma reflexão profunda sobre a arte de ensinar e de como não perder a esperança.

Todo ser humano é um crente por natureza. Faz parte da nossa essência ter esperança. Sem ela, como levantar todos os dias para enfrentar os problemas diários? Sem sonhos, como seguir em frente? O problema apresentado no filme é cruel e bastante palpável, vide a maioria das escolas públicas do nosso país. Como ensinar a um ser humano desacreditado, que não tem nem mesmo as necessidades básicas satisfeitas? Crer e lapidar o valor que existe dentro dele tem que ser o início.
O filme expõe o problema de uma maneira muito verdadeira e faz pensar. Mostra que a vítima da sociedade não deve simplesmente se acomodar e que sempre existe uma solução, basta que alguém acredite nela. O problema racial também é bem conduzido, ao comparar a situação dos negros americanos com os judeus na Segunda Guerra. A identificação é sutil e interessante. Principalmente, se levarmos em conta a história da humanidade. Todas as raças já foram escravas em algum momento. Os próprios negros egípcios eram faraós com judeus como escravos. Os romanos escravizavam outros povos, sem distinção de raça. A senhora G, como a professora é chamada pelos alunos, mostra que todo ser humano é igual e já sofreu em algum momento da vida. Para mudar essa situação, é preciso acreditar em si mesmo. Por mais utópico que pareça, todo ser humano merece alguém que acredite nele. Um filme fundamental para quem quer pensar o ser humano. Como diria Cristovam Buarque, um país se faz com educação.