
As atuações magníficas de Monica Bellucci e Vincent Cassel impressionam a cada minuto e me fez sentir asco de toda aquela história sangrenta e pervertida. O grande mérito, no entanto, é mesmo a forma como é filmado: a câmera parada, os planos-sequência, os cortes feitos entre balanços de câmera, tudo feito para que o espectador se sinta desconfortável. E acreditem, não tem almofada nem poltrona que dê jeito. O estupro em plano-sequência, então, deixou a cena do brasileiro Cama de Gato até amena.
A história de um homem que sai a procura de vingança contra o viciado que estuprou e desfigurou sua namorada fala sobre como decisões impensadas podem lhe levar a lugares inimagináveis, de como atitudes impulsivas podem acabar com uma vida ou várias. E vocês já podem imaginar que se trata de uma sucessão de fatos que levam o protagonista a um beco sem saída. Já vimos isso em filmes como Trainspotting e Corra, Lola, Corra!. Dessa vez o tal beco sem saída é o que torna os primeiros trinta minutos impactantes ao extremo. Confesso que quase desisti de continuar, mas a curiosidade em saber como tudo aquilo começou, me segurou.

Pra mim, com uma certa preparação psicológica, Irreversível é um bom filme. Só não pense em assistir por diversão, e sim por curiosidade ou pra receber uma bela injeção de realismo diretamente na veia.