
Apesar de ambientado no século XIX, a trama é atemporal, pois fala de amor, paixão e da falta de coragem do ser humano de assumir suas escolhas, pautado no que irá pensar a sociedade. Estamos sempre buscando a aprovação alheia. E Martin Scorsese soube levar esse dilema com maestria para as telas. A versão de Scorsese é a terceira da história, antes um filme mudo em 1924 e outro já falado em 1934, já tinha contado a história do livro de Edith Wharton.
Um homem da aristocracia americana, noivo de uma moça de igual status, conhece uma condessa recém-separada, que demonstra ser uma mulher extremamente avançada para aquela cidade de Nova York do ano de 1870. A princípio, ele apenas defende a prima de sua noiva, mas aos poucos os dois se apaixonam perdidamente. Apesar disso, ela pede que ele se case com a prima, que se demonstra uma mulher extremamente manipuladora.

O roteiro de Jay Cocks e, do próprio, Scorsese dosam bem as passagens de tempo, nos envolvendo na longa trama. E a fotografia de Michael Ballhaus é marcante, não sendo à toa que uma das cenas mais lembradas do filme é a imagem de Ellen em um pôr-do-sol, a beira do mar, tendo o farol e um barquinho de fundo. Os detalhes são sugestivos, a ponto de uma das cenas mais sensuais ser em uma carruagem quando Archer "despe" a mão de Ellen tirando aos poucos sua luva. É paixão à flor da pele. Um melodrama clássico, com um desfecho melancólico, mas tão rico de detalhes e carregado de emoção que só vendo para entender o que eu digo. De todas as formas, um filme encantador para se ter na estante.
Aqui, uma rara cena de bastidores do filme.