
O filme está longe de ser uma obra-prima, é verdade, mas a história tem uma força tão grande que você termina a projeção embevecido. É possível fazer o nosso sonho acontecer. Em situação adversa, Mozart conseguiu construir uma orquestra de sucesso, quando ninguém mais acreditou ser possível. Mais do que isso, os créditos finais mostrando que todos os meninos vivem hoje de música é um sopro de esperança de dias melhores. Afinal, quem é capaz de viver de seus próprios sonhos? Todos os dias somos puxados pela realidade que nos obriga a trabalhar e pagar as contas, deixando os desejos, as paixões em segundo plano. É o medo que nos impede de mergulhar de cabeça em projetos próprios que nos trariam mais satisfação. Mozart não teve esse medo. Saiu de sua posição confortável e lutou pelo impossível, dando um rumo na vida de pessoas que jamais sonhariam em oportunidades parecidas.

Murilo Rosa está muito bem no papel principal e Priscila Fantin também convence em sua atuação se esquecermos que é a atriz global conhecida. O rótulo é tão forte que, por vezes, fica impossível comprar a idéia de que ela é uma adolescente nordestina, semi-analfabeta. De qualquer maneira é uma história de inspiração. Filmes assim deveriam estar sendo feitos em maior escala. Em vez de incentivar a população a reclamar e sofrer com situações de miséria, mostrar bons exemplos de caminhos e possibilidades para ir além e vencer na vida. Por que não?