
Em dezembro de 1973, Susie Salmon está voltando do colégio quando é abordada por um vizinho e é assassinada. Começa, então, narrativas paralelas, Susie em uma espécie de intermédio entre o céu e a terra, sua família corroída pela dor à procura de respostas para o que aconteceu e seu assassino deliciando-se com o ocorrido e já preparando o novo ataque. A montagem é extremamente feliz ao dar uma dimensão exata desses paralelos, principalmente na primeira parte do filme, antes da menina ser assassinada, criando uma tensão e suspense bem dosados. Mas, já aí começam os problemas, ao insistir em uma narrativa em off de Susie nos antecipando muitas coisas. Há um jogo interessante, como na primeira aparição do assassino, que apenas os espectadores mais atentos verão, mas há também a entrega muito fácil de todo o ocorrido e uma explicação excessiva quase didática do que o roteiro queria passar.

O mundo intermediário, formado por elementos da vida de Susie, é belo, bem construído e grandioso, bem ao estilo do diretor. E a sobreposição de imagens é muito bem feita, dando uma dimensão exata dos sentimentos da menina que observa sua família daquele lugar estranho. A premissa desse estágio é bem parecida com Amor Além da Vida, tendo os efeitos visuais e sonoros os principais ajudantes na composição. Mas, o clichê dos filmes espiritualistas norte-americanos me incomodam um pouco. Isso, no entanto, é um comentário bem pessoal. Sei que muitos podem adorar.

E como a curva dramática vai caindo em vez de subindo, o final é algo de lamentável. Vários detalhes quase destroem a história, que não irei exemplificar aqui para não perder o sentido, mas são diversos pontos apelativos, irreais ou mesmo clichês que culminam no desfecho final totalmente apático. É uma pena, pois tudo poderia ser grandioso e muito melhor. Ainda assim, é um bom filme, nos faz pensar e constrói sensações intensas em sua apreciação. Devo confessar que chorei, tive medo, fiquei revoltada e tensa, em diversos momentos, só isso já vale a experiência fílmica.