
Os Novos Baianos surgiram no final da década de sessenta, com uma mistura de sons bem brasileira. Clássicos como "Besta é Tu", "Acabou Chorare", "Brasil Pandeiro", "Preta Pretinha", são cantadas até hoje com entusiasmo, mas o grupo parece que foi caindo no esquecimento. O documentário reconstrói através de depoimentos e imagens de arquivo um pouco do que foi aquele momento, a importância de João Gilberto para a mudança musical do grupo (antes rock, depois mais próximo do samba), daí o nome do filme, além de tentar explicar o porquê do fim. Algo que é simplesmene impossível. O que fica no final é que tudo tem o seu momento, por melhor que seja, nada dura para sempre.

A costura feita por Henrique, que além de dirigir assina o roteiro e a produção executiva, é muito feliz ao não se fixar apenas nos depoimentos do integrantes. A participação de Tom Zé, uma espécie de padrinho do grupo é fundamental para entender o momento em que viviam e a relação com o Tropicalismo. É muito gostoso de acompanhar a história desde o princípio com Moraes Moreira e Galvão, passando pelo apartamento no Rio, até o famoso sítio em que eles criaram sua comunidade. As imagens de arquivo, principalmente do filme "Novos Baianos FC", que dá para ter uma idéia de como eles viviam naquela comunidade. Destaque também para as cenas de Superoutro, filme de Edgar Navarro. Só senti falta de um fechamento, Henrique se preocupa tanto com imagens de ligação entre os depoimentos e no final, parece que falta algo para coroar o encerramento, mas não compromete o valor do filme.
A falta de Baby é sentida, sabendo ou não da polêmica sobre a autorização do depoimento. Única representante feminina daquele grupo, ficamos esperando sua visão sobre o processo, como ela se relacionava, sua musicalidade e influência. Enfim... É mesmo uma pena que ela tenha saído aos 44 do segundo tempo, quase inviabilizando essa homenagem tão bonita.
Filhos de João, admirável mundo novo baiano, é uma declaração de amor de Henrique Dantas àqueles músicos, ao processo por eles vividos e à música popular brasileira. Torço para que consiga chegar ao circuito comercial, pois o cinema baiano precisa ser visto pela população que não está habituada a frequentar festivais.