
O primeiro filme que chegou aos cinema em 2008 centrou em resolver uma questão que ficou em aberto: o relacionamento de Big e Carrie. Seu tom é, então, bem diferente da série, com uma história quase linear com começo, meio e fim. Seu roteiro seguia a estrutura clássica e bem concisa do cinema e cumpre um papel correto ao transportar o universo de uma série televisiva para as grandes telas. Fez algum sentido ao meu ver, mas os fãs não ficaram tão satisfeitos.

Agora, chega esse segundo filme e uma sensação estranha me veio ao sair da sala de projeção. Parece que é uma obra de sobrevida, o último sopro daqueles que não querem largar aquilo que já terminou. É divertido, é muito parecido com a série, os mesmos conflitos, as mesmas discussões e a mesma irmandade presente, porém fica um vazio. Essa fase já havia sido superada, ou não? Parece que das quatro, apenas Miranda conseguiu crescer, sempre prática, sua vida está condizente com sua idade, ao contrário das outras três que parecem ter congelado no tempo em suas inseguranças e desejos.
Michael Patrick King se esforçou para fazer uma direção agradável, mas o roteiro vai do nada ao lugar nenhum. Ao contrário do primeiro filme, em que havia um motivo, nesse segundo, como já falei é apenas uma vontade de prolongar aquele universo e aquelas personagens que viveram de 1998 a 2004. É interessante colocar essas quatro mulheres sempre em busca do futuro e do papel da mulher agora em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, onde a mulher é menos que um objeto, sem voz ou direitos. Principalmente Samantha, que está cada vez mais estereotipada em sua fome de sexo.

Tem cenas engraçadas, tem momentos muito felizes e algumas surpresas como Liza Minnelli (quem não viu e quiser conferir essa inusitada participação veja aqui), Penélope Cruz e Miley Cyrus. Percebe-se também um cuidado com a direção de arte, principalmente no casamento e no hotel dos Emirados Árabes, além claro, do figurino que faz Carrie parecer sempre uma extravagante modelo nas passarelas. É um filme para fãs matarem saudades, mas espero que percebam que tudo tem um fim. E da própria vez que quiserem rever Carrie Bradshaw, Samantha Jones, Charlotte York e Miranda Hobbes aluguem ou comprem os DVDs das seis temporadas.