
Baseado nos livros policiais de capa preta, o noir chegou aos cinemas na década de 40. Alguns indícios indicam as suas escolhas. São sempre histórias de suspense, com uma suspensão da moral, atmosfera sombria, narração over do personagem principal, uma mulher fatal misteriosa e uma tensão constante. Ao primeiro ato de Dália Negra parece que voltamos no tempo e estamos vendo um daqueles filmes. No segundo ato, isso se perde um pouco, tornando o filme mais contemporâneo. Ainda assim, o clima permanece.

A história real de Elizabeth Short, que foi encontrava morta, com o corpo dilacerado, sangue drenado e orgãos retirados, ficou sem solução e permanece um mistério até hoje. O caso ficou conhecido como Dália Negra, porque a moça, aspirante a atriz, sempre se vestia de preto e os jornais associaram ao filme do momento: A Dália Azul. O livro de James Ellroy floreia essa história, acrescentando bastidores do submundo com filmes pornográficos, empresários doentios, e uma mulher misteriosa. Foi com essa história que Josh Friedman escreveu o seu roteiro.


O elemento Femme Fatale (mulher fatal) é um dos mais interessantes nesse filme. Temos duas nesse longa. Primeiro Scarlett Johansson, vivendo a aparente mulher perfeita Kay Lake, namorada do Sargento Lee Blanchard, vivido por Aaron Eckhart, que flerta com o detetive Bucky Bleichert, vivido por Josh Hartnett. Depois, a surpreendentemente sexy Hilary Swank, que vive a misteriosa Madeleine Linscott, uma luz em toda a história. É muito interessante o jogo feito com essas duas mulheres no percurso da investigação de Bleichert.

Para quem gosta do estilo, Dália Negra é um deleite, interessante, repleto de emoção e com cenas memoráveis. Uma boa obra para um diretor que se diz fã de Alfred Hitchcock e é apontado como o sucessor do mestre do suspense.