
A premissa parece simples e a história tem meia hora de duração, se muito. Em Salamanca, na Espanha, o presidente dos Estados Unidos participará de uma conferência mundial sobre o combate ao terrorismo onde assinará um acordo histórico. Acontece um atentado e o presidente é baleado. Agora, o filme é construído a partir dos pontos de vista de alguns personagens espalhados pelo local, começando pela sala de edição do jornalismo de uma televisão americana, passando pelo segurança, um turista no meio da multidão, os terroristas e o próprio presidente. Sempre que um ponto de vista começa, há um efeito de fita rebobinando e voltamos ao ponto inicial às 11:59 da manhã. Cada ponto de vista revela algo a mais até que toda a história é exposta.

O elenco estrelar vai de Sigourney Weaver, a chefe da ilha de edição, passando por William Hurt como o presidente Ashton, Dennis Quaid na pele do traumatizado agente Thomas Barnes, Forest Whitaker vivendo um turista americano de férias, até o "Lostie" Matthew Fox como outro agente. Há ainda nomes como Edgar Ramirez, Saïd Taghmaoui, Bruce McGill ou Zoe Saldaña (a bela avatar). Todos cumprindo bem o seu papel e ajudando no tom de mistério e revelações progressivas.

O suspense é muito bem construído. Imagine o plot inicial ser feito através do que pode ser captado por câmeras dentro de uma ilha de edição móvel? E aos poucos, a situação ir sendo revelada, a partir do que cada pessoa distinta viu ou provocou? É uma montagem ágil e um roteiro que constrói a passagem de um ponto de vista ao outro, arquitetando cada detalhe e ainda nos surpreendendo no final. Ponto de Vista é um belo exemplar de que a velha fórmula ainda pode ser reinventada.