

A possibilidade de falar de sonhos, algo que, por mais teorias psicológicas que existam, ninguém ainda explicou exatamente como funciona, deu a Cristopher Nolan a liberdade de criar qualquer coisa. Mesmo a passagem de tempo que achei absurda, afinal Isaac Newton já dizia que "o tempo é uma ilusão". A nossa mente é atemporal. Mesmo assim, é um universo criado, tudo fica crível, verossímil. É totalmente possível comprar aquela idéia ainda que eles não nos expliquem muito como aquilo tudo acontece. Ao contrário de Matrix que deu explicações até demais.

Nolan vai ainda na contramão da moda. Sugeriram que ele filmasse em 3D, o que ele abominou, fazendo o filme em IMAX. E usou o mínimo de efeitos especiais. Fez questão de filmar em cenários reais, explodir galpões e viajar por quatro cidades: Tóquio, Inglaterra, Los Angeles e Calgary. O resultado é de encher os olhos. Há cenas incríveis como uma em que o personagem Arthur prepara a explosão de um elevador. Ou a cena já exposta no trailer em que a cidade se dobra. Ou ainda a cena em que os prédios são destruídos na praia. É tudo muito bem construído, estruturado, faz sentido. A construção narrativa é maravilhosa, complexa, inteligente que nos faz pensar e discutir o que acabamos de assistir.

Para completar, achei genial o código utilizado a partir da música de Edith Piaf, "Non, Je Ne Regrette Rien", que significaria "Não, eu não lamento nada". O simbólico da letra se encaixa perfeitamente com o drama do personagem e com o universo do sonho. Além de acabar virando uma referência ou brincadeira a Marion Cotillard, que interpretou Piaf no cinema.
Em todos os aspectos, A Origem é um filme impressionante e envolvente. Nos deixando um enorme pulga atrás da orelha no final. A única coisa que realmente eu poderia criticar seria a tradução do título do filme Inception. A inserção, que é o argumento do filme faz todo o sentido. A Origem fica mais forçado, por mais que tentem explicar que ali está a origem de tudo.