
A história conta os bastidores da CIA entre 2001 e 2003 tendo como pano de fundo a Guerra do Iraque e como linha condutora o casal Joseph Wilson, vivido por Sean Penn, e Valerie Plame, interpretada por Naomi Watts. Ela, uma agente secreta de alto escalão, que comandava diversas missões, e ele, um diplomata inconformado com o jogo de interesses e mentiras do presidente Bush e sua equipe para justificar a guerra. Quando ele resolve denunciar o que sabe, sua esposa acaba pagando um alto preço.

A história da agente também nos envolve. Conhecemos toda a sua dedicação, força de vontade, lealdade e a foma como ela é derrubada por aqueles que pretendia proteger dói no espectador. Somos manipulados direitinho para acreditar que Valerie Plame é uma verdadeira heroína e que seu esposo é uma das pessoas mais dignas que já conhecemos. Quando falo que somos manipulados não quero com isso dizer que os dois não sejam merecedores de admiração, mas apenas que há uma parcialidade no roteiro que faz deles os únicos incorruptíveis, e não passíveis de falhas.

Jogo de Poder é daqueles filmes sem máscaras, que nos envolve em uma história mesmo que não a conheçamos tão profundamente quanto o povo norte-americano. A imersão é tão profunda que presenciei pela primeira vez no cinema uma cena interessante. Como de costume, mal dá o sinal de fim da narrativa e os funcionários do cinema já se apressam a expulsar o público da sala, abrindo a porta e acendendo as luzes. Acontece que Jogo de Poder tem seu momento chave nos créditos do filme. Sim, repito: o momento-chave do filme que ficamos esperando durante todo o terceiro ato está nos créditos. Então, ficamos todos com as portas abertas, as luzes acesas, sentados em silêncio assistindo àquelas cenas. Lamentável que a experiência cinematográfica esteja cada vez pior.
Jogo de Poder: (Fair Game: 2010 / Emirados Árabes, EUA)
Direção:Doug Liman
Roteiro: Jez Butterworth e John Henry Butterworth
Com: Naomi Watts, Sean Penn, Ty Burrell, Sam Shepard.
Duração: 104 min