
A aproximação da estreia de
Planeta dos Macacos: a Origem me fez lembrar de um filme da infância, que apesar de não ter nada a ver com a saga baseada no livro de Pierre Boulle, poderia muito bem ser uma inspiração de um mundo pré-mudanças. Assim como o livro francês, havia uma preocupação com a guerra fria e o destino da humanidade. E o treinamento dos
macacos acaba dando indícios de que outros primatas poderiam mesmo evoluir e se tornar a principal espécie do
planeta.
Tudo começa com a personagem de
Helen Hunt, Teri, em um treinamento especial com o macaco
Virgílio. Treinado desde filhote, o animal consegue se comunicar através de sinais e tem raciocínios próprios como a capacidade de mudar a hora do relógio para se tornar a "hora de brincar". Quando falta dinheiro para o projeto,
Virgílio é levado para uma base da aeronáutica que faz treinamentos secretos com macacos. É lá que ele conhece o piloto Jimmy Garrett, vivido por
Matthew Broderick, o eterno
Ferris Bueller. E é aí que começa a verdadeira trama de
Projeto Secreto Macacos.

Entre fantasias e construções temáticas sérias, o roteiro de
Stanley Weiser nos conduz de forma simples a questionamentos referentes a ética em relação ao tratamento de cobaias e todos os laços possíveis. O que seria um inofensivo treinamento de
macacos para pilotar caças, se revela cruel, mas não vai muito além disso, preferindo um caminho fantasioso. O que revela a escolha de uma trama leve, que não por acaso se tornou um dos filmes mais exibidos na
Sessão da Tarde. Tem momentos realmente bem elaborados, como o suspense criado na primeira vez em que Garrett vê o que acontece na câmara de pilotagem. Em outros, peca por forçar algumas situações inverossímeis como em boa parte da resolução da trama. Isso sem falar do excesso de didatismo em alguns momentos como na cena em que o personagem de Broderick descobre a linguagem dos sinais.

A direção de Jonathan Kaplan é correta, dosando muitas vezes os enquadramentos padrões, com alguns detalhes especiais, como na cena em que Virgílio vê o resultado da câmara, começando com uma subjetiva do
macaco andando no corredor que termina com ele olhando a mão largada e a coleira vermelha. A cena seguinte do grito, é forte, e o
zoom out deixando os seres humanos cada vez menores, é interessante. Assim como os cortes para cada macaco gritando em uma espécie de revolução. Porém, esses momentos são raros, sendo a maior parte do filme com uma direção apenas correta, sem grandes composições.
Matthew Broderick continua com seu ar de menino ingênuo que fez arte, construíndo uma boa empatia, principalmente com o público infantil. Sua relação com o
macaco Virgílio fica completamente crível, assim como a construção progressiva de suas descobertas e escolhas naquele espaço. Apesar de aparecer pouco em tela,
Helen Hunt também consegue convencer como a pesquisadora de
macacos. É interessante ainda perceber que mesmo sem efeitos especiais para criar humanóides, cada macaco possui uma personalidade no filme, sendo a produção bastante fiel durante toda a projeção.
O filme
Projeto Secreto Macacos pode não ser um grande clássico do cinema, mas de maneira simples consegue divertir e passar uma mensagem para reflexão. Marcou a infância de muita gente, sem dúvidas, principalmente pelo carisma de
Matthew Broderick e do simpático
chimpanzé Virgílio.
Projeto Secreto Macacos (Project X: 1987 / Estados Unidos)
Direção: Jonathan Kaplan
Roteiro: Stanley Weiser e Lawrence Lasker
Com: Matthew Broderick, Helen Hunt, William Sadler.
Duração: 108 min.