A paixão vai ao cinema
Estas semanas estamos presenciando um fenômeno interessante nos shoppings e salas de cinema de Salvador, a invasão da torcida do Bahia no espaço da sétima arte. Falo em invasão, não no sentido pejorativo, mas como uma constatação mesmo de um fenômeno especial. Não são pessoas indo ao cinema, são torcedores celebrando o seu time na sala escura.
Torcedor com camisa de time é comum ver em qualquer lugar. Mas, não em bandos com direito a acessórios como bandeira ou gorro, tão longe do estádio de futebol. A princípio achei que era apenas a febre da estreia, quando o Multiplex Iguatemi se tornou um segundo estádio de Pituaçu, ou até a saudosa Fonte Nova. No dia 30 de setembro, quando Bahêa Minha Vida estreou, o espaço parecia uma festa. Basta olhar esse vídeo para entender o que falo:
Normal. Fãs gostam de exacerbar seu amor na estreia do filme pelo qual são apaixonados. É a onda de cosplay que invadiu os cinemas em julho, por exemplo, com a estreia de Harry Potter. Milhares de crianças e adolescentes chegaram a caráter para ver o filme. Tinha bruxo, monstro, com capas, chapéus, colar e varinhas que simbolizavam cada personagem. Até um protótipo de Voldemort apareceu no Cinemark do Salvador Shopping por exemplo. É uma forma do fã demonstrar o seu amor por aquele produto.
Antes de que falem que se tratam apenas de crianças, é bom lembrar os mesmos fenômenos que aconteceram nas estreias de cada filme de Star Wars ou O Senhor do Anéis, até mesmo de Matrix, onde era possível ver vários homens de preto com óculos. Os Jedis, então, amam tanto a Saga que estão criando conselhos estaduais. Aqui em Salvador mesmo, existe o Conselho Jedi Bahia, uma espécie de mundo paralelo onde os fãs se reúnem para discutir o assunto que gostam, em eventos específicos.
Alguns podem dizer que seria, então, "coisa de nerd". Tudo bem, pode até ser, mas agora, a torcida do Bahia demonstra que não é uma questão de rótulo, mas de paixão. Ela faz com que as pessoas queiram participar do fenômeno não apenas como espectadores pacíficos, querem fazer parte daquilo. É como um cinéfilo que usa uma camisa de seu diretor ou filme preferido sempre que tem um curso, um cineclube ou um festival. Faz parte do ser humano se orgulhar daquilo por que é apaixonado e querer gritar isso para o mundo de alguma forma.
Agora, o que impressiona no caso da torcida do Bahia é a extensão dessa manifestação. Duas semanas após a estreia, as pessoas ainda se reúnem uniformizadas para assistir ao filme. Em menor quantidade, é verdade, mas ainda é possível vê-los se agrupar para comemorar juntos cada gol, como se estivessem em um estádio. Ganha o cinema baiano, que tem uma bilheteria significativa com tão poucas cópias. E ganha o futebol baiano, tendo uma emoção a mais para vivenciar e incentivar o time.
Resta saber até que ponto isso é benéfico para o cinema em si. Os não-torcedores do Bahia, principalmente os do rival Vitória, estão reclamando bastante por exemplo dos torcedores tricolores estarem desviando o cinema para uma rixa futebolística, como se o Bahia fosse superior por ter um filme e estar lotando as salas com grupos organizados. Tem um fundo de verdade. Pois aqui, não está em jogo o futebol, mas a arte. Mas, em um caso tão isolado, seria motivo para preocupação?
Não acho que seja para tanto. Bahêa Minha Vida só mostrou que um filme sobre uma preferência nacional como o futebol pode movimentar, e muito, as duas áreas, criando um link movido unicamente pela paixão de ser pertencente a um grupo. Deixa os torcedores passearem pelo cinema com suas camisas. Por enquanto, mal não estão fazendo. Tomara que o Vitória e todos os outros times possam ganhar também o seu filme-homenagem.
Torcedor com camisa de time é comum ver em qualquer lugar. Mas, não em bandos com direito a acessórios como bandeira ou gorro, tão longe do estádio de futebol. A princípio achei que era apenas a febre da estreia, quando o Multiplex Iguatemi se tornou um segundo estádio de Pituaçu, ou até a saudosa Fonte Nova. No dia 30 de setembro, quando Bahêa Minha Vida estreou, o espaço parecia uma festa. Basta olhar esse vídeo para entender o que falo:
Normal. Fãs gostam de exacerbar seu amor na estreia do filme pelo qual são apaixonados. É a onda de cosplay que invadiu os cinemas em julho, por exemplo, com a estreia de Harry Potter. Milhares de crianças e adolescentes chegaram a caráter para ver o filme. Tinha bruxo, monstro, com capas, chapéus, colar e varinhas que simbolizavam cada personagem. Até um protótipo de Voldemort apareceu no Cinemark do Salvador Shopping por exemplo. É uma forma do fã demonstrar o seu amor por aquele produto.
Antes de que falem que se tratam apenas de crianças, é bom lembrar os mesmos fenômenos que aconteceram nas estreias de cada filme de Star Wars ou O Senhor do Anéis, até mesmo de Matrix, onde era possível ver vários homens de preto com óculos. Os Jedis, então, amam tanto a Saga que estão criando conselhos estaduais. Aqui em Salvador mesmo, existe o Conselho Jedi Bahia, uma espécie de mundo paralelo onde os fãs se reúnem para discutir o assunto que gostam, em eventos específicos.
Alguns podem dizer que seria, então, "coisa de nerd". Tudo bem, pode até ser, mas agora, a torcida do Bahia demonstra que não é uma questão de rótulo, mas de paixão. Ela faz com que as pessoas queiram participar do fenômeno não apenas como espectadores pacíficos, querem fazer parte daquilo. É como um cinéfilo que usa uma camisa de seu diretor ou filme preferido sempre que tem um curso, um cineclube ou um festival. Faz parte do ser humano se orgulhar daquilo por que é apaixonado e querer gritar isso para o mundo de alguma forma.
Agora, o que impressiona no caso da torcida do Bahia é a extensão dessa manifestação. Duas semanas após a estreia, as pessoas ainda se reúnem uniformizadas para assistir ao filme. Em menor quantidade, é verdade, mas ainda é possível vê-los se agrupar para comemorar juntos cada gol, como se estivessem em um estádio. Ganha o cinema baiano, que tem uma bilheteria significativa com tão poucas cópias. E ganha o futebol baiano, tendo uma emoção a mais para vivenciar e incentivar o time.
Resta saber até que ponto isso é benéfico para o cinema em si. Os não-torcedores do Bahia, principalmente os do rival Vitória, estão reclamando bastante por exemplo dos torcedores tricolores estarem desviando o cinema para uma rixa futebolística, como se o Bahia fosse superior por ter um filme e estar lotando as salas com grupos organizados. Tem um fundo de verdade. Pois aqui, não está em jogo o futebol, mas a arte. Mas, em um caso tão isolado, seria motivo para preocupação?
Não acho que seja para tanto. Bahêa Minha Vida só mostrou que um filme sobre uma preferência nacional como o futebol pode movimentar, e muito, as duas áreas, criando um link movido unicamente pela paixão de ser pertencente a um grupo. Deixa os torcedores passearem pelo cinema com suas camisas. Por enquanto, mal não estão fazendo. Tomara que o Vitória e todos os outros times possam ganhar também o seu filme-homenagem.
Amanda Aouad
Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Unifacs e da Uniceusa. Atualmente, faz parte da diretoria da Abraccine como secretária geral.
A paixão vai ao cinema
2011-10-16T11:12:00-02:00
Amanda Aouad
cinema baiano|cinema brasileiro|Especial|materias|
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