
Por mais surreal que seja comprar a idéia de três
esquilos falantes, cantantes e dançantes que fazem sucesso no mundo dos humanos como a coisa mais natural que existe, temos que reconhecer que
Ross Bagdasarian e os demais produtores de
Alvin e os Esquilos são espertos. Aliás, Bagdasarian já ganha os louros por sua invenção desde a década de 50, o que não deixa de ser um feito. Não por acaso chegam ao terceiro filme e, infelizmente, não devem terminar por aí. Ainda bem que não criaram alguns
esquilos bebês dessa vez.
Surreal, desculpe me repetir, mas é a melhor definição para esse
filme. Se o primeiro nos apresentou os três
esquilinhos simpáticos e o segundo nos trouxe três "esquiletes", seja lá o que isso signifique. O terceiro filme não traz novidades nesse sentido. A história está mais para um episódio na vida deles do que uma curva dramática transformadora. O sexteto está de férias com Dave em um navio luxuoso e em breve se apresentarão no
Festival Mundial de Música. Entre trapalhadas e acidentes, vão parar junto ao eterno vilão Ian, o produtor malvado em uma ilha deserta. E aí ... pode pensar em todas as referências de
A Lagoa Azul, passando por
O Náufrago, e claro,
Lost.

Os primeiros quinze minutos de filme deu vontade de levantar. Não exatamente por ser ruim, mas porque a cada frase, vinha uma
música e uma coreografia dos
esquilos e das esquiletes. Isso cansa, não? Ainda que seja com as
músicas pops mais famosas do momento. Nesse ponto é que destaco a inteligência dos produtores, já que música conhecida sempre anima o público. Só não precisava ser tanto. Tem inclusive uma cena onde as esquiletes disputam quem dança melhor com três mulheres com atitudes extremamente clichês e exageradas. Alguém consegue imaginar uma coisa dessas como normal? A partir daí,
Alvin apronta todas e o
filme se torna uma sucessão de confusões até chegar na tal ilha.

Aqui temos aquele tipo de coincidência que só acontece em
filme. Em um mar imenso, primeiro a turma peluda chega, depois chegam Dave e Ian. E ele ainda vira e diz a frase "olha, uma ilha, vai ver os esquilos estão lá". Como ele pode saber isso se não os viu caindo? Nesse ponto entra outra personagem estranha, Zoe, vivida por Jenny Slate em uma interpretação bastante caricata. Uma náufraga, com direito a várias amigas bolas, que vive por ali. Na sua "turma" tem de basquete, de beisebol, de tênis, curiosamente só não tem de vôlei.

Nesse ponto, o
filme esquece as danças e cantorias. Aliás, esquece também o mundo da música e as disputas empresariais que reinavam nos dois anteriores. O roteiro se concentra, então, nas referências e peripécias na ilha. Tem a velha piada da cabana feita pelo homem e outra pela mulher, nesse caso
Alvin e Britanny. Tem aranha mudando a personalidade do certinho
Simon. Tem ainda cachoeira que esconde algo. E até um duplo arco-íris com direito a
Theodore perguntar "o que significa isso?". Pensei que eles começariam a cantar "
double rainbow oh my god". Mas, não deixa de ter boas sacadas com outros filmes como
O Senhor dos Anéis,
James Bond,
Titanic ou mesmo
Indiana Jones. Além de piadas com algumas músicas como Survivor de Destiny’s Child ou Glee, "Agora nós somos os losers", diz Britanny.
Alvin e os Esquilos 3 não pode ser considerado um bom
filme. Mas, diverte e tem seus momentos. Principalmente para crianças e adolescentes que adoram
musicais estranhos, onde tudo é desculpa para abrir a boca, com muito fôlego para dançar e cantar. Só que em vez de dançarinos sarados, temos bichinhos fofos em computação gráfica. É ou não é surreal?
Alvin e os Esquilos 3(Alvin and the Chipmunks: Chip-wrecked: 2012 / EUA)
Direção: Mike Mitchell
Roteiro: Jonathan Aibel e Glenn Berger
Com: Jason Lee, Jenny Slate, Matthew Gray Gubler (voz), Jesse McCartney (voz), Christina Applegate (voz), Justin Long (voz), Anna Faris (voz), Amy Poehler(voz).
Duração: 87 min.