

Ele começou a sua carreira cedo, no antigo Clube do Mickey e até 2006 seus dois papéis de destaque foram Daniel Balint em Tolerância Zero e Noah Calhoun em Diário de uma Paixão. Foi então, que interpretou o único papel que lhe rendeu uma indicação ao Oscar, Dan Dunne em Half Nelson - Encurralados, um professor em uma escola secundária do Brooklyn, que tem várias crises éticas por querer ensinar o melhor aos seus alunos, mas ser usuário de drogas. No ano seguinte, ele já demonstrava sua capacidade mutante no surpreendente A Garota Ideal, em uma sensível interpretação do estranho Lars e sua namorada inflável. Ryan Gosling deu uma pausa na carreira de ator, para se dedicar a de cantor, e voltou três anos depois em 2010, com uma sequência incrível de papéis e filmes que o tornou um dos atores mais populares dos últimos tempos. Vamos, então, aos cinco destaques desses dois últimos anos.

Nesse subestimado filme de 2010, Ryan Gosling vive David Marks, filho do influente empresário, Sanford Marks, vivido por Frank Langella. A princípio, parece apenas mais um rapaz tímido e romântico que não pertence ao mundo do pai. Mas, aos poucos, vamos percebendo os problemas psicológicos de David, um homem que vive com o trauma de ter visto sua mãe morrer em sua frente, quando tinha apenas 7 anos de idade. Instável emocionalmente e possessivo, não por acaso, Entre Segredos e Mentiras é todo construído a partir das lembranças do personagem em um tribunal. O que ele está fazendo ali, no entanto, só nos é revelado aos poucos, durante o filme. O que não tem mistério, no entanto, é o talento de Gosling que passeia muito bem entre os picos de mania e depressão do seu complexo personagem.
Quando Michelle Williams foi indicada ao Oscar em 2011, ficou uma dúvida na cabeça de todos: E Ryan Gosling?? Afinal, Namorados para Sempre é um filme de uma dupla, da construção complexa do relacionamento desse casal em frangalhos, que vai se deteriorando em nossa frente. Não há como separar a interpretação de um do outro. Cindy e Dean são todos os alicerces do filme. Eles só funcionam juntos, desde o encanto do início a dor do fim, principalmente nos seus contrastes: ela querendo terminar a relação, ele desesperado para mantê-la. Uma interpretação forte, intensa, que nos convence. Não há como passar despercebido por ele.
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Após duas interpretações tão intensas e emocionais, chega a possibilidade de algo mais leve. Na melhor comédia romântica do ano, Ryan Gosling é o guru pessoal de Steve Carell, ensinando-o a como se portar para não aparentar ser um perdedor. A química dos dois, o jogo de sedução que ele ensina, o relacionamento com Emma Stone, tudo funciona muito bem. Aqui Gosling não é muito exigido é verdade, mas consegue se sair muito bem como o galã ideal, com direito a piada de Photoshop e tudo, demonstrando todo o seu carisma.
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No filme de George Clooney o mais impressionante da interpretação de Ryan Gosling não é exatamente a construção do personagem, mas a sua desconstrução em tela, à medida em que o jovem e idealista Stephen Myers vai se tornando um cínico político como tantos outros. Ele é o protagonista absoluto desse belo filme, completamente esquecido pelo Oscar e outras premiações. Intenso, entrega de fato sua alma a cada cena, nos envolvendo em sua trajetória de aprendizado ao contrário.
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Por fim, o filme que iniciou uma inusitada campanha pela internet como protesto pela não indicação ao ator no Oscar. Como o enigmático "driver", Ryan Gosling consegue ser quase monossilábico, e mesmo assim passar toda a emoção e informação necessária ao público. O escorpião observador, atencioso, calmo e ao mesmo tempo capaz de rompantes assustadores é muito bem desenvolvido nesse filme de ação, que privilegia o roteiro e a construção do personagem. Coisa rara, ainda mais nos dias de hoje.
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