
O Capitão Jack Sparrow é complexo e completamente inesperado. A começar, foge do estereótipo de qualquer pirata. Aparentemente atrapalhado, azarado e peculiar, sempre tem tramas mirabolantes para conseguir o que quer. A todo momento, nos perguntamos se ele faz isso de forma calculada ou por sorte. Mas, o fato é que tudo sempre acaba dando certo para ele. E o melhor, ele só cresce a cada filme, sendo sempre apresentada uma nova característica ao personagem.

O primeiro take é mesmo imponente, o vento batendo em seu rosto. Ele em cima do mastro, com uma pose de herói, a câmera se aproximando de seu rosto até o close, que coincide com um barulho que o faz olhar para baixo. Só aí, o furo no barco é revelado, e Sparrow tenta tirar a água com um balde. É engraçado, atrapalhado, mas não perde a pose, tanto que, quando passa por um local onde são vistos piratas enforcados, ele os cumprimenta em respeito, tirando o chapéu e fazendo uma reverência.

Gore Verbinski é extremamente feliz ao colocar primeiro um plano fechado onde só mostra Jack Sparrow em sua pose imponente em cima do mastro, para só depois ir afastando a câmera e abrindo o plano para revelar que aquele barco está literalmente afundando e que só tem fôlego para o fazer chegar até o cais. Ou seja, uma metáfora perfeita do que é o personagem. Atrapalhado com ar imponente, que confunde a sua platéia, não sabendo que se deve rir ou se admirar com ele. Mas, que sempre consegue atingir o seu objetivo.
Como uma piada final que complementa seu caráter, ainda engana o cobrador de impostos que quer cobrar pela "permanência" de seu barco no cais. Um plano-detalhe do mastro afundado ajuda na piada. Sparrow finge pagar uma quantia, mas rouba a uma quantia maior na saída. Um bom exemplo de uma cena divertida, criativa, inesquecível e que traduz perfeitamente o personagem.