
Na verdade, acredito que essa seja uma das atrizes mais injustiçadas pelos estereótipos. E tem apenas três grandes papéis memoráveis pelo senso comum: a própria Mary Poppins, que lhe deu o Oscar, Maria de A Noviça Rebelde e Victoria Grant de Victor ou Victoria. Eu particularmente acrescentaria um grande papel de um bom filme que já está quase perdido em minha memória: Sede de Amar. Muitos, inclusive, afirmam que apenas aí, ela provou que não era apenas uma cantora que atuava, o que é uma grande injustiça e para explicar melhor os fatos vamos começar pelo início.

Conta-se a história de que Julie Andrews só conseguiu o papel no filme da Disney por causa dessa questão. E mais do que isso, que o Oscar que ela levou por Mary Poppins seria uma espécie de compensação por não ter sido escolhida para My Fair Lady. Esse boato era tão forte que nas tradicionais entrevistas pós Oscar uma repórter perguntou isso a Andrews que em um misto de vergonha, surpresa e sinceridade respondeu: "Eu espero que não".

Mary Poppins é uma bruxa, um ser mágico que desce do céu com seu guarda-chuvas. É uma mulher refinada, com modos comedidos, uma verdadeira lady. Distante emocionalmente, tem em sua frente apenas uma missão a ser cumprida. A interpretação de Andrews é condizente com isso. A postura corporal, o tom de voz, as expressões, tudo nos faz crer naquela personalidade exótica.

Já Victoria Grant não precisa de muitas defesas. Ela é uma mulher que se finge de homem se fingindo de mulher. Só o desafio já é complexo. Como construir uma soprano desempregada que bola um plano maluco onde tem que interpretar um homem que é transformista? Julie Andrews consegue diferenciar muito bem as três personalidades em sua interpretação. A verdadeira Victoria, mais solta. O Victor, um homem contido. E seu personagem, a transformista que é uma diva. Tanto que ganhou o Globo de Ouro por este papel, ou seriam papéis?

Acredito que até por isso, Julie Andrews tenha preferido a Broadway à Hollywood. Lá ela sempre foi estrela maior e atuou até até quando suas cordas vocais permitiram. No cinema, além dessas bobagens de O Diário da Princesa, ela ainda faz muitas dublagens, a última foi em Meu Malvado Favorito. Por essas e por outras, esse post é uma homenagem a, sim, uma grande atriz.