
É nesse universo que se encontra Ralph, o vilão do jogo "Fix-It Felix". Sua função é destruir um prédio, até que o herói Felix chega e conserta toda a confusão que ele causou com suas enormes mãos. O problema é que, fora do jogo, Ralph também é visto como vilão. Isolado no lixão ao lado do prédio, ele não tem amigos, nem participa das festas que os moradores realizam. E, por isso, decide que não vai mais ser um vilão. Sua meta: conseguir uma medalha, nem que para isso tenha que percorrer todos os jogos do fliperama.

Há também boas piadas e referências como a reunião de vilões na "sala" do Pac Man, os jogos e personagens que irão trazer memórias afetivas aos jogadores mais assíduos ou a lenda urbana do Mentos com Coca-Cola diet. A própria criação de um mundo paralelo por trás das máquinas de fliperama, onde todos se comunicam e podem transitar entre os jogos é algo que fascina. Não tem mesmo como não lembrar da Pixar com a vida dos bonecos quando as crianças saem, ou mesmo a capacidade de dar a robôs emoções humanas.

O problema é que, ao contrário da Pixar, os roteiristas de Detona Ralph não conseguem trabalhar tão bem esses elementos e camadas. A aventura fica repleta de clichês e cenas desnecessárias. Engraçadinhas, mas bobas muitas vezes, tornando tudo muito mais infantil do que o necessário. Claro, que o filme é originalmente para crianças, mas tudo não precisa ser tão raso. As próprias pistas e recompensas da histórias são muito óbvias, tornando toda a aventura "cantada" e as possíveis surpresas, esperadas.

Detona Ralph pode decepcionar pela expectativa que se tinha criado diante de um novo mito. Talvez tenhamos exigido demais de um filme que se propõe apenas a ser mais uma aventura legal, em um mundo imaginário. Tal qual os videogames, que só estão ali para divertir um pouco seus jogadores enquanto eles acumulam pontos, live e medalhas. Então, curtamos o que ele tem a nos oferecer.
Detona Ralph (Wreck-It Ralph, 2012 / EUA)
Direção: Rich Moore
Roteiro: Phil Johnston, Jennifer Lee
Duração: 101 min.
Curta-metragem
Antes do filme, temos a bela animação “Paperman“. Uma mistura de computação com desenho feito à mão, com acabamento em preto e branco. Sem um único diálogo, o curta nos conta uma história de amor entre um jovem novaiorquino solitário e uma moça que ele vê em uma estação de trem. A forma como os aviõezinhos de papel se tornam fundamentais para essa história é mágica e poética. E o ritmo nos envolve de uma maneira gostosa de acompanhar. Sem dúvidas, uma bela história.
Veja um pouco da tecnologia utilizada.