
Quem viu o musical
Mamma Mia, inspirado em uma peça na Broadway, acha que o
ABBA nunca perdeu seu glamour. Mas, o grupo dos anos 70 só retornou à moda, dando a ideia de tal criação após o sucesso desse
filme Australiano inusitado.
O Casamento de Muriel é uma
comédia com tom farsesco que nos apresenta a sua protagonista
Muriel, vivida de maneira incrível por
Toni Collette. Uma moça tímida, de uma família de fracassados que sonha com as
músicas do
ABBA e com um casamento de princesa. Sempre mentindo para todos,
Muriel não se conforma de ser retirada da turma que amigas que tem vergonha dela, e acaba embarcando em uma viagem onde reencontra Rhonda, uma colega de colégio que logo se torna sua melhor amiga. Morando em Sidney, fugida da família,
Muriel vira Mariel, mas continua mentindo e ainda vai acontecer muita coisa em sua vida.

Primeiro grande sucesso de P.J. Hogan (O Casamento de Meu Melhor Amigo),
O Casamento de Muriel tem sempre um tom acima. Os personagens são exagerados, as situações são exageradas, as mentiras e dramas são exageradas. Mas tudo conduzido de uma maneira tão própria que não fica de fato
over. É o estilo da farsa. Do estranhamento quando acompanhamos aquele mundo insólito de
Muriel.
Já somos apresentados a esse mundo no
casamento de uma das "amigas", na forma como todas se revoltam por
Muriel pegar o buquê. Na vizinha que denuncia que ela roubou um vestido. Na forma como a família recebe essa notícia e ela se tranca no quarto para ouvir o ABBA. É quase impossível acreditar que aquela família existe, assim como ficamos nos sentindo incomodados com cada ato de
Muriel, suas mentiras, suas escolhas, seus sonhos. Mas, tudo vai se encaixando aos poucos. Como uma
música.

Porque os grandes trunfos de
O Casamento de Muriel são o ABBA e a atriz
Toni Collette, ainda que
Rachel Griffiths também esteja bem como Rhonda. É uma delícia ouvir e sincronizar músicas como
Dancing Queen, Fernando e
Mamma Mia, por exemplo, na trama. Já
Toni Collette nos dá uma
Muriel totalmente crível, em seus medos, suas mentiras, suas vontades. A atriz chegou ainda a engordar quase 18 kilos para o papel. Já
Rachel Griffiths faz uma Rhonda adorável, totalmente bem resolvida, cheia de amantes, verdadeira e que sabe construir bem a virada da personagem em determinado momento.
P.J. Hogan consegue dosar bem as cenas, dando
humor e drama com um equilíbrio interessante. Ao mesmo tempo que temos cenas como Rhonda e
Muriel dançando ABBA no palco, enquanto suas "amigas" se engalfinham no chão, temos momentos tensos como o casamento da protagonista onde tanto Rhonda como a mãe da moça, interpretada por
Jeanie Drynan, nos dão uma pena imensa. O
filme tem um bom ritmo, ainda que cause estranhamento pelos excessos e incomode em algumas escolhas desnecessárias como a própria virada na história de Rhonda.
Ainda assim,
O Casamento de Muriel é daqueles
filmes divertido que ficam. Ultrapassam o tempo e são sempre bons de ser redescobertos. Principalmente se você gostar do grupo
ABBA e não se importar de cantar e sonhar com os clássicos dos anos 70.
O Casamento de Muriel (Muriel's Wedding , 1994 / Austrália)
Direção: P.J. Hogan
Roteiro: P.J. Hogan
Com: Toni Collette, Rachel Griffiths, Bill Hunter
Duração: 106 min