
Na trama, o garoto Robbie está em busca de uma nova chance de vida. Seu filho acaba de nascer e sua namorada Leonie exige que ele mude. Ela briga com a própria família para manter o amor com um rapaz assim e precisa que ele corresponda. Robbie está cumprindo pena com serviços comunitários e é nessa jornada que ele conhece um grupo de amigos nada comuns. E também onde é apresentado ao uísque, a arte da destilação e degustação da bebida.


Mas, A Parte dos Anjos não é apenas comédia, tem também o drama que envolve os personagens e sua falta de "lugar ao sol". Robbie é um rapaz marcado, que tem um arqui-inimigo em sua cola. Uma trama pouco desenvolvida que serve como mais um obstáculo em sua tentativa de vida honesta do que outra coisa. Mas, temos momentos de grandes catarse para ele como quando é demonstrada uma acareação com um rapaz que ele bateu no passado.

Robbie é também um rapaz muito inteligente e sua inteligência é passada para o plano e consequentemente para roteiro, ou o contrário, claro. O fato é que A Parte dos Anjos não tem uma estrutura clichê de histórias de reabilitação. Há o drama, há o sofrimento, há a busca pela nova chance, mas tudo isso é construído com escolhas bastantes inusitadas e que nos trazem personagens também complexos.
A Parte dos Anjos é daqueles filmes gostosos de acompanhar. Não pretende mudar o mundo, nem apresentar fórmulas. Faz críticas e brincadeiras com a mesma intensidade. Assim como a vida. Em que não há super bandidos nem heróis definitivos.
A Parte dos Anjos (The Angels' Share, 2012 / Inglaterra)
Direção: Ken Loach
Roteiro: Paul Laverty
Com: Paul Brannigan, John Henshaw, Gary Maitland
Duração: 101 min.