
Um monstro assustador, uma história fascinante que teve ainda duas refilmagens, uma em 1976, dirigida por John Guillermin, e outra em 2005, dirigida por Peter Jackson, que já declarou ser a obra de 33 seu filme preferido. E não é por acaso. Mesmo com as poucas técnicas da época, o filme ainda continua com seu charme. É impressionante o que eles conseguiram para a época com um elenco simples, alguns efeitos especiais e uma técnica de stop motion impressionante que fazia o macaco criar vida.
Aliás, o macaco, que na história seria gigante, era um boneco de apenas 50 centímetros. Mas, nas mãos de Willis O’Brien, ganhou vida e impressiona plateias mesmo hoje, com tantas tecnologias. A estrela Fay Wray que faz a mocinha também ajuda no sucesso da trama, com seu carisma e expressividade que a tornam uma vítima perfeita, principalmente na antológica cena final.

Não consegui encontrar a cena completa com o som original de Max Steiner, apenas um trecho, mas aqui temos um projeto interessante de mashup. A cena original, colorizada, e o som da mesma cena só que na versão de 2005, dirigida por Peter Jackson. Ficou um resultado impactante também. E demonstra o quanto Kong ficou no imaginário do diretor.
Essa versão colorizada é muito interessante para perceber os detalhes da construção da cena, a imagem com cenário estático para mostra o macaco subindo no prédio, por exemplo, é bem clara. Os planos dos pilotos com um cenário pintado ao fundo, para simular que estão no ar, assim como a cena em que a mão mecânica segura a personagem Ann Darrow no ar. Tudo é muito perceptível aos nossos olhos de hoje. Mas, ao mesmo tempo muito bem construído. Não é de se admirar que fez tanto sucesso na época. Apesar de construídos em partes, cada plano parece mesmo fazer parte do conjunto, nos dando uma sensação de verdade.
E uma obra de 80 anos de existência que ainda se mantem forte, acaba gerando curiosidade e muitas histórias de bastidores. Aqui uma lista de curiosidades compilada de especiais feitos pelo sites do Uol, Adoro Cinema e o Guia dos Curiosos:
- A versão original teve pré-estreia em 2 de março em Nova York e foi lançado mundialmente em 7 de abril de 1933

- O tamanho aparente de King Kong é diferente nas cenas da selva em relação às filmadas em Nova York. Quando na metrópole, o macaco aparenta ter mais de sete metros de altura. Já na ilha no meio do Pacífico, King Kong media aproximadamente 5 metros. Os cartazes de divulgação do longa eram ainda mais exagerados: noticiavam que o gigante do filme tinha 18 metros.
- Na época das filmagens de King Kong tanto o Empire State Building quanto o prédio da Chrysler estavam sendo construídos em Nova York. Inicialmente o roteiro previa que Kong escalaria o prédio da Chrysler, que seria o prédio mais alto do mundo. Porém uma mudança nos planos de construção do Empire State Building fez com que ele se tornasse o prédio mais alto, fazendo também com que fosse o escolhido pelos produtores para a escalada de Kong no filme.

- Pilotos que participaram das cenas em que aviões decolam para combater King Kong subido no Empire State Building receberam apenas US$ 10 pela figuração
- Supersticioso, o diretor e produtor Merian C. Cooper quis evitar que o filme todo tivesse 13 rolos e inseriu uma sequência inteira na qual King Kong destrona a cidade e danifica um trem. É possível notar que a algema do pulso direito de King Kong - presente quando o gigante escapa do teatro -- desaparece durante a cena na qual os trilhos são atacados pelo macaco
- Curioso que essa cena do ataque ao trem é a escolhida para ser reproduzida no parque da Disney, onde os visitantes estão dentro do trem que é atacado.
- O grito do gorila gigante foi produzido com o rugido de outros dois animais: um tigre e um leão. Os sons foram unidos e reproduzidos de trás para frente para conferir o brado característico de King Kong.
- A produção foi uma das pioneiras na criação e uso de efeitos especiais, com maquetes representando locações como os prédios de Nova York. No caso do Empire State Building, a única filmagem "in loco" ocorreu apenas no relançamento do longa em 1952, 19 anos após o original. Quando Kong esmaga um avião na parede do prédio icônico da cidade

- O animal que mais se aproxima de Kong é o primata Gigantopitheus blacki, que viveu há 7,3 milhões de anos nas florestas de bambu da China. Herbívoro, tinha mais de 3 metros de altura e pesava 500 quilos.
- O gorila que aparece no longa de Peter Jackson é interpretado pelo ator Andy Serkis. Ele estudou o movimento dos símios visitando por um mês o zoológico de Londres (Inglaterra) e realizando uma viagem para a reserva florestal de Ruanda (África).
- Jackson possuía um monte de objetos do filme de 1933, e utilizou diversos deles na sua produção.
- A atriz Fay Wray, que estrelou a versão original de King Kong, esteve em negociações para participar desta nova versão em uma ponta, mas faleceu antes que pudesse gravá-la. A intenção de Peter Jackson era que ela repetisse a famosa frase final do filme original, "Oh no, it wasn't the airplanes. It was beauty killed the beast".