Gerard Butler deve mesmo ser
um bom partido. Mesmo com problemas financeiros e desanimado diante de uma separação. Então, o título em português não chega mesmo a ser um desastre (apesar do original ser mais interessante e sutil) e traduz bem o clima dessa
comédia romântica pra lá de clichê, mas que nos diverte enquanto dura.
George é um ex-jogador de futebol que encontra-se em crise. Bom deixar claro que é o nosso
futebol mesmo, o
soccer e não o americano. O personagem é escocês assim como o ator, tanto que há uma brincadeira com seu sotaque, além de referências a
Beckham e à rainha da Inglaterra. Aposentado, sem dinheiro,
separado, ele vai aos Estados Unidos para tentar se manter perto do
filho que não vê há muito tempo. Só que acaba se envolvendo mais do que esperava com a escolinha de
futebol dele e com as mães de seus coleguinhas.

A cena em que ele levanta da arquibancada e resolve colocar ordem na escolinha apesar de absurda, não deixa de ser interessante. Absurda porque o
técnico simplesmente não faz nada, continua no celular e observando aquele pai como se nada demais estivesse acontecendo. E, ao mesmo tempo interessante, porque tem um ritmo e até uma verossimilhança. Afinal, de
futebol ele entendia, e as crianças estavam ávidas por aprender. É divertido acompanhar aquele treinamento e as etapas que vão sendo superadas no campeonato.

Porém, o roteiro acaba sendo um emaranhado de coisas jogadas na tela que não conseguem se desenvolver a contento. E no final tudo parece apenas uma desculpa para seguir o padrão conhecido de uma
comédia romântica com final feliz. O personagem de
Dennis Quaid, por exemplo, parece um peixe fora d´água. Tem todo aquele estereótipo de homem rico que resolve tudo com "patrocínio", mas se aproxima de George de uma forma estranha. Empresta sua Ferrari por dias a um completo desconhecido? Sua relação com a esposa vivida por
Uma Thurman também é
fake, exagerada, não condiz com o clima da trama.
A chorona personagem de
Judy Greer é outra que vai do nada a lugar nenhum. A construção da personagem e da sua trajetória na trama é apenas para trabalhar mais um alívio cômico, que não precisava necessariamente. A cena em que ele está no jogo e ela liga pro seu celular estando tão perto e sabendo que seu
filho está ali jogando o campeonato também é absurda. A resolução de sua trama não tem pé, nem cabeça. A melhor resolvida parece mesmo a personagem de
Catherine Zeta-Jones, que deixa as cartas abertas na mesa e age com alguma coerência diante disso.

Já a relação pai, filho, ex-mulher e futuro padrasto segue um padrão conhecido, mas bem conduzido, principalmente no terceiro ato. E todos os atores conseguem nos passar uma verdade, ainda que estereotipada e
clichê. É interessante, por exemplo, como o que aconteceu no passado não é explicitado. De forma bastante natural, as coisas vão sendo sugeridas, soltas aos poucos, em conversas verossímeis. Não temos aquele momento "pára para explicar ao público". É uma foto que o garoto vê no quarto, uma lembrança de uma tradição de gol no passado, uma observação dos comentários das mães na arquibancada.
Um Bom Partido é daquelas
comédias leves que divertem e não fazem mal a ninguém. Tem clichês, tem coisas estranhas, soltas do nada, mas tem um protagonista honesto, bem construído que está tentando dar a volta por cima, sobreviver, se manter em pé, se mantendo no jogo da vida. Ou seja, "
playing for keeps" como nos avisa o título original.
Um Bom Partido (Playing For Keeps, 2013 / EUA)
Direção: Gabriele Muccino
Roteiro: Robbie Fox
Com: Gerard Butler, Jessica Biel, Dennis Quaid, Uma Thurman, Catherine Zeta-Jones, Judy Greer, James Tupper, Noah Lomax
Duração: 105 min.