
Master Class com Dick Fontaine

Atualmente, também professor, Fontaine destacou que o documentarista tem sempre que encontrar o seu próprio estilo. Não há como ensinar ao aluno o que ele deve fazer, ele tem que descobrir, ouvir sua própria voz, encontrar o seu próprio método. Cada um é diferente do outro, então, o que funciona para um não é o que funciona para o outro. Segundo ele, sua função como professor é a de fazer as pessoas encontrarem seu viés criativo. Ser um guia nesse processo. Mas, ele deu dicas de que, em um documentário, o que funciona é um olhar diferente sobre o mundo. Algo de estranho, algo de curioso, mesmo que em situações aparentemente normais.

Apesar de apenas uma palestra de uma hora e pouco, foi mesmo uma boa experiência ouvir esse cineasta e conhecer um pouco melhor suas ideias e métodos de trabalho. Que bom que o In-Edit trouxe para Salvador também o essa atração. Não ficando apenas nos filmes, como nos demais anos. Que venham mais.
Pernamcubanos: O caribe que nos une
(Nilton Pereira. Brasil / Cuba - 2012)
O filme é guiado pela atriz e diretora de teatro cubana, Fatima Patterson e pela artista e mãe de santo pernambucana Bete de Oxum. Ambas vão mostrando as aproximações e distanciamentos da Ilha cubana e o estado de Pernambuco. Assim, vão discutindo costumes, culturas populares, religiosidade e a própria história de seus povos.
É curioso acompanhar toda aquela profusão de força cultural em tela. O roteiro aparentemente anárquico vai nos guiando nas escolhas, nos fazendo concordar que aquela mistura é mesmo clara. Até pela origem colonial (ainda que de países diferentes, mas com o mesmo intuito) e pela influência africana. A presença da música, em festas profanas ou religiosas, é o guia maior. E é mesmo impossível ficar parado ao som daqueles batuques.
Pernamcubanos não é um documentário inovador, mas traz um olhar curioso e envolvente para um tema que está aí, porém poucos se deram ao trabalho de falar. Agora, funciona mais, exatamente pela presença de Fatima Patterson, sua simpatia e forma como vai curtindo cada encontro e descoberta. Não por acaso, ela acaba ganhando mais força na parte final.
Jason Becker: Not Dead Yet
(Jesse Vile. Reino Unido / EUA - 2012)Jason Becker não está morto ainda. Esse filme de Jesse Vile é uma verdadeira montanha russa de emoções. Ainda que sejamos avisados no início do filme que veremos a história de um homem e uma doença, a condução do documentário nos faz quase esquecer isso em sua primeira parte.

Com apenas 20 anos de idade, ele foi convidado para assumir o lugar de Steve Vai na banda de David Lee Roth. Era o auge, a grande chance, e era apenas um menino com uma vida pela frente. Mas, aí veio a doença. Jason foi diagnosticado com ELA (esclerose lateral amiotrófica), doença degenerativa, sem cura e viu seus sonhos minarem.

Mostrar a luta de Jason Becker para viver, e mais do que isso, continuar com a música é incrível. Faz pensar e nos inspira. Mexendo apenas os olhos, ele conseguiu continuar compondo e lançou até mesmo um disco: Perspective. E o mais impressionante, que o filme não mostra, é que esse foi apenas o primeiro. Uma verdadeira lição de vida, de amor e de persistência.
Jason Becker: Not Dead Yet é um filme forte emocionalmente e que ajuda a divulgar ainda mais esse ser especial que pode não ter mais uma guitarra nas mãos, mas continua impressionando com a sua música.