
Não tem como começar uma
crítica sobre este
filme sem falar no nome. Acho que a situação mais sem sentido que já presenciamos no
cinema. Afinal,
O Último Exorcismo ter continuação é piada pronta. Então, o
filme original teria que mudar de nome?
O Penúltimo Exorcismo talvez.
O fato é que
Ed Gass-Donnelly pega o gancho do primeiro
filme e nos faz acompanhar uma trajetória insólita da garota Nell em tentar retomar sua vida após os acontecimentos. Mas, ela não é mais apenas uma perseguida pelas trevas, o
demônio se apaixonou por ela, vejam só. E ela não vai conseguir fugir com tanta facilidade. Mesmo com amigas novas, que na primeira oportunidade vão fazer
bullying com ela por causa de vídeos no Youtube, uma nova figura paterna e até um namoradinho colega de trabalho.

O
filme de
Ed Gass-Donnelly só não é um desperdício completo porque possui um
time interessante em sua primeira parte. Temos um suspense, com uma construção de ambiente propício para pequenos
sustos e algumas curiosidades. Ainda que mal explicadas como o casal do início da projeção. Temos alguns momentos de
contemplação, silêncios e sombras que são explorados de maneira envolvente, criando um certo clima na plateia. Tem até, uma referência a Os Pássaros de Hitchcock em uma cena sinistra em uma Igreja.

O próprio roteiro traz em seu início uma premissa interessante de revés da situação. Como se tudo o que aconteceu fosse
alucinação de Nell e que não passasse de fantasia. Claro, estamos em um
filme de
terror e logo teremos as confirmações de que o
sobrenatural existe e que o jogo ali é outro. Mas, diante de tantos filmes de
exorcismo, remakes, continuações ou originais, fiquei imaginando se não seria interessante algo que trouxesse esse contraponto. A loucura, em vez da
possessão. Mas, foram apenas pensamentos que surgiram, enquanto a trama ainda não emplacava.
E tudo piora com o surgimento da Seita da Mão Direita. Tudo que envolve essa tal
seita é tão absurdo que fica até difícil de analisar de uma maneira mais sóbria. Principalmente, a parte que envolve uma
galinha. Sim, uma galinha preta e não tem nada a ver com as tradições africanas, antes que alguém pense. O que tinha um certo tom sério e até com pequena tensão se torna risível. E isso é um problema, por que o riso não é uma construção proposital do
filme como outros exemplares
trash.

Chama a atenção também a economia de
Ed Gass-Donnelly em efeitos especiais. Todas as cenas que envolvem
violência são apenas sugeridas. A câmera chega a literalmente sair de cena e focar a fachada da casa enquanto acontece uma determinada situação, nos deixando apenas com os sons e uma manchinha ou outra na janela, além de uma referência a Carrie - A Estranha que enriquece a sequência. Da mesma forma que uma porta se fecha e só ouvimos sons, ou vemos um corpo sendo jogado contra uma outra porta de vidro. Isso sem falar em um certo corte de pescoço que nos dá um corte na imagem para o contracampo e depois volta já com uma mão em cima da ferida.
Não podemos dizer que não fomos avisados. No título já dá para perceber que a produção não se leva a sério e é apenas mais um caça-níquel.
O Último Exorcismo - Parte 2 é daqueles filmes que serão rapidamente esquecidos. Ou, quem sabe, cultuados pelas futuras gerações por ser tão
trash.
O Último Exorcismo - Parte 2 (The Last Exorcism Part II, 2013 / EUA)
Direção: Ed Gass-Donnelly
Roteiro: Damien Chazelle e Ed Gass-Donnelly
Com: Ashley Bell, Julia Garner, Spencer Treat Clark
Duração: 88 min.