
Depois da interessante comédia
Quero Matar Meu Chefe,
Seth Gordon nos apresenta um besteirol sem compromisso que centra em uma certa caricatura da atriz
Melissa McCarthy. A gordinha, atrapalhada e trambiqueira que não tem escrúpulos. E no final, se perde.
Jason Bateman é Sandy Patterson, um exemplar pai de família. Já tem duas filhas e sua esposa está grávida de mais uma criança. Consegue uma oportunidade única de trabalho e acredita que finalmente vai se dar bem. Até que descobre que uma mulher na Flórida está usando sua
identidade para gastar o que ele não tem e ainda cometer delitos que envolvem até drogas. Claro que, nessa situação, o
filme nunca perde a oportunidade de fazer uma
piada com o nome Sandy que seria de mulher, ou unissex, como insiste o personagem. De qualquer maneira, ele começa sua jornada para caçar essa mulher e limpar seu nome.

Só na premissa já começam os incômodos. Afinal, não existem advogados na América? E aquela máxima de você é inocente até que prove o contrário? Como um homem que mora do outro lado do país, pode estar cometendo furtos na Flórida? E como mesmo depois de ver a foto de
Melissa McCarthy descabelada segurando a plaquinha de Sandy Patterson, o policial continua duvidando do pobre homem em sua frente. Isso sem falar nessa burocracia policial onde um distrito não se comunica com outro e incentiva um cidadão comum a ir à caça da
ladra.

Relevando tudo isso. Ainda assim, o roteiro de
Craig Mazin carece de ritmo. As
piadas não são engraçadas como poderiam, as situações dão mais vergonha que vontade de rir. Os clichês são manjados e até as possíveis surpresas são óbvias e previsíveis. Fora que em determinado momento, a trama muda, e temos um déjà vu de
Um Parto de Viagem, outra comédia que se aproveitou de um
hit (Se Beber. Não Case), para tentar emplacar outra aventura divertida. Mas, tal qual o exemplo,
Uma Ladra Sem Limites está longe de um
Quero Matar Meu Chefe ou
Missão Madrinha de Casamento.
O exagero é o tom do
filme. A começar pela construção da personagem de
Melissa McCarthy, a Diana, ou sabe-se lá que nome a personagem tenha. A golpista é completamente sem noção, faz coisas tão absurdas que não podem ser de um ser humano. Ela realmente não tem
limites. A única explicação para alguém tão sem escrúpulos e noção seria mesmo ser uma sociopata. Porém, esse diagnóstico cai por terra em determinado momento, quando a trama vira e nos vemos em um quase melodrama barato.

Como se não bastasse, o
filme ainda cria outras complicações para a dupla Sandy. Como Diana dá seus golpes clonando
cartões de crédito, ela tinha vendido alguns para os traficantes e o chefão deles acabou sendo preso por isso. A dupla interpretada por
Genesis Rodriguez e
T.I. segue na cola dos dois, assim como o caçador de recompensas vivido por
Robert Patrick. E claro, que mais
confusões vão surgir a partir daí.
De qualquer maneira, nada que salva o ritmo e a graça do
filme que adora expor seus personagens ao ridículo. Uma
comédia que deve ser facilmente esquecida. Uma pena, já que seus realizadores já demonstraram ter talento para coisas melhores.
Uma Ladra Sem Limites (Identity Thief, 2013 / EUA)
Direção: Seth Gordon
Roteiro: Craig Mazin
Com: Jason Bateman, Melissa McCarthy, Amanda Peet, Robert Patrick, Genesis Rodriguez, Jon Favreau
Duração: 111 min.