
O grande mistério da construção amorosa aqui está em Wall-E, um robô humanizado e sensível que não sabe explicar o que é o amor, mas o compreende com todo o seu ser. Inspiração é o filme Hello Dolly que ele assiste todos os dias. Especialmente uma cena poética de um entrelaçar de mãos ao pôr do sol. Wall-E busca essa sensação desesperadamente. Ele que vive só naquele planeta devastado, em uma rotina enfadonha. E para não dizer que vive completamente só, tem uma barata amiga que o acompanha.
Quando Eva aparece no planeta é como um sonho realizado para o robozinho. Mesmo que tão diferente dele, ela é aquilo que ele aguardava. Há uma "química" entre os personagens. A inocência e insistência de Wall-E vão humanizando Eva. Ela que é um robô moderno, frio, sem nuanças emocionais, vai "amolecendo". Wall-E é um robô especial e isso faz toda a diferença àqueles que começam a conviver com ele.
E é impressionante como a animação nos passa tudo isso com pouquíssimas falas. As expressões de olhar de Wall-E são extremamente bem desenvolvidas. E é no olhar brilhante de Eva que ele encontra as respostas que esperava por todo tempo. Ainda que extremamente improvável, os dois parecem se completar. E quando Wall-E vai atrás de sua amada e acaba com isso, ajudando toda a raça humana, nos dá um prazer imenso. O amor vence tudo.


Queremos as mãos entrelaçadas ao pôr do sol e a troca de olhares apaixonados. Sejam entre humanos, animais ou simples robôs programados. Afinal, o amor pode transformar o mundo. Que Wall-E e Eva possam nos inspirar a nos preocupar um pouquinho mais com o que realmente vale a pena nessa vida.