
Nos dias 15 e 17 de Agosto de 2013, uma das quatro réplicas da
Ferrari 250 GT Spyder California 1961 utilizadas em
Curtindo a Vida Adoidado (1986) vai a leilão. O
veículo pertence à Modena Design, a mesma que criou a réplica em fibra de vidro para o filme, devido à raridade do carro original. Quem não se lembra direito do
filme, a
Ferrari é levada pelos funcionários de uma garagem e roda quilômetros sem os garotos perceberem. No fim, na tentativa de voltar o hodômetro para que seu pai não perceba e num acesso de raiva de Cameron (Alan Ruck), a
Ferrari cai da garagem pela janela e fica completamente destruída. Enfim, quem arrematar o carro não vai ter que arcar com estes custos de reparo. O
veículo que será leiloado está em perfeito estado.

Na época do filme, uma
Ferrari 250 GT Spyder California valeria cerca de US$ 350.000, mas o maior valor alcançado num leilão de uma original foi US$ 10.894.900. Esse
carro pertenceu ao ator James Coburn e foi vendido ao DJ britânico Chris Evans. Os carros originais foram todos construídos com placas de aço e painéis de alumínio. Os motores eram os mesmos V12 Ferrari usados nos
carros de corrida da Tour de France da época. Por quanto será que esta relíquia com motor Ford V8 de 500 cavalos e carroceria em fibra de vidro deverá ser arrematada?

Um outro
carro que ficou famoso em um filme foi
Eleanor, o carro mais respeitado e temido pelo personagem de
Nicolas Cage no filme
60 Segundos (2000). O
carro é um
Mustang Shelby GT500 1967. Pela sua potência e beleza não é de se admirar que o lendário ladrão de carros Randall “Memphis” Raines o cobice tanto. Foram criados 12
carros iguais para o
filme, mas só 7 deles "sobreviveram". Todas as réplicas do
Eleanor foram construídas pela empresa Cinema Vehicle Services, especializada em desenvolver veículos para
filmes e com autorização da Ford, mas nenhuma das réplicas era um legítimo Ford Mustang Shelby, apenas cópias montadas sobre Mustangs 1967 convencionais. Além dos doze, mais um
Eleanor, este sim baseado em um Shelby GT500 1967 original, chegou a ser preparado, mas ficou de fora das gravações. Este ano, por 1 milhão de dólares, um dos exemplares do Eleanor usado nas filmagens foi vendido em um leilão em Indianápolis, nos Estados Unidos.

E por falar em
carros com nome, temos que lembrar de
Christine, protagonista de um dos livros mais famosos de
Stephen King e que foi adaptado para o
cinema em 1983 com a direção do mestre do terror
John Carpenter. Um
filme que tem como tema a paixão dos adolescentes pelos automóveis, mas acaba por se desenvolver em algo muito mais sombrio. Arnie Cunningham (Keith Gordon), um colegial adolescente, apaixona-se por Christine, um
Plymouth Fury 1958 vermelho que já foi mais bonito. Quando decide restaurá-lo com suas próprias mãos, seus amigos percebem que não somente o
carro está mudando, mas Arnie também. Quanto mais se dedica ao veículo, mais fica arrogante, diferente de sua personalidade normal. O automóvel exige dele uma devoção incondicional e, se alguém tenta intervir, se torna mais uma vítima de seu ciúme incontrolável. Toda vez que o
carro é destruído, se recompõe e volta como novo. Quando o
carro mata, fica um mistério, não sabemos se o
carro anda sozinho ou é o rapaz quem está ao volante.


Outro filme que tem um mistério acerca de quem está no volante é
Encurralado (1971). O encontro sinistro entre um
Plymouth Valiant Signet 1971 vermelho e um
caminhão Peterbilt 281 1955 com reboque de tanque. Sem nenhuma explicação aparente, uma
perseguição feroz toma conta das estradas desertas da Califórnia e o vendedor de eletrônicos vivido por Dennis Weaver passa a temer pela sua vida. O caminhoneiro talvez apareça em uma cena numa lanchonete na beira da estrada, mas quem saberia dizer quem é ele em meio a várias pessoas? O Plymouth Valiant Signet 1971 não foi bem uma escolha do diretor, tudo o que
Spielberg queria é que fosse um
carro vermelho para se destacar na estrada. Foram usados três modelos nas filmagens, inclusive um 1970 com motor V8 318. O caminhão foi escolhido pessoalmente, já que ele gostava do nariz achatado e da aparência ameaçadora do velho Peterbilt 281 1955.
Mas não tem
carro mais famoso que o
Batmóvel. Até porque ele não foi um só. Com o passar do tempo, não só o design, mas também os acessórios foram mudando bastante, acompanhando o desenvolvimento tecnológico. O
veículo apareceu pela primeira vez em 1939, na Detective Comics #27, na primeira aparição do Batman. Além de ainda não ter nome, o
carro não passava de um conversível vermelho com o símbolo do herói. O Batmóvel ganhou um nome apenas em fevereiro de 1941, na Detective Comics #48, por Bill Finger, co-criador do personagem e que também batizou Gotham City. Na TV, em sua primeira versão live action, em 1943, o Batman de Lewis Wilson dirigia apenas um Cadillac conversível que servia tanto a Bruce Wayne quanto ao Batman. A capota aberta servia para o milionário e fechada para o super-herói.

Mais famoso entre todos, o Batmóvel de 1966, da série televisiva e do filme estrelados por Adam West. O trabalho de customização foi de George Barris, com apenas quinze dias de prazo. Um
Lincoln Futura,
carro conceitual da Ford projetado por Bill Schmidt, Doug Poole e John Najjar e fabricado especialmente para o Chicago Auto Show, em 1955, foi usado como base. O veículo foi comprado por Barris por um apenas um dólar e seu redesign custou US$ 15 mil. Na época das filmagens, o
carro teve diversos problemas técnicos, como superaquecimento, baterias descarregadas e pneus que furavam muito. Ainda na primeira temporada, o motor e a transmissão do Lincoln Futura foram trocados pelos de um Ford Galaxie. A última vez que o
carro foi visto o oficialmente aconteceu em 14 de março de 1968, quando o último episódio da série foi ao ar. Desde que foi "aposentado", o
carro fazia parte da coleção pessoal do designer e foi vendido em um leilão no início de 2013 por US$ 4,62 milhões nos Estados Unidos. O veículo que tem permissão para circular livremente pelas ruas.

Em 1989, para
Batman e
Batman: O Retorno, o designer Anton Furst construiu mais um Batmóvel, este a partir de um
Chevrolet Impala, a pedido de Tim Burton. O modelo, aposentado depois de Batman: O Retorno, serviu de inspiração para o
Batmóvel de Batman: The Animated Series, além de diversos modelos dos quadrinhos. Em 1995, a designer Barbara Ling preferiu seguir uma linha mais orgânica, buscando traços que lembrassem costelas, músculos e asas de morcego para o filme Batman Eternamente. Para salientar ainda mais esses traços, usou uma luz interna azul. Em 1997, para o famigerado Batman e Robin, o Batmóvel ficou a cargo do designer Harald Belker. As barbatanas, ou asas do morcego, comum a quase todos os veículos, foram bastante exageradas nesta versão.

Por fim, mas não menos famoso, o último
Batmóvel foi o da trilogia de Nolan. O
Tumbler, criado em 2005 pelos designers
Nathan Crowley e pelo próprio
Christopher Nolan, era menos luxuoso e mais parecido com um tanque de guerra. Quatro carros foram montados para o filme, ao custo de US$ 250 mil cada. Apenas observando cenas dos filmes e fotos, a equipe Team Galag, construtores que participam da corrida
Gumball 3000, desenvolveu uma réplica do veículo ao custo de US$ 1 milhão para percorrer os quase 5000 quilômetros de estrada ao redor do mundo, disputando com carros esportivos usados pelos milionários que participam da prova. O “
Batmóvel” recebeu um motor V8 de 6.2 litros e 450 cavalos de potência, dando ao
carro a velocidade máxima acima dos 160 km/h.
Já viu quantos carros são famosos na história do cinema? Este é só o segundo post, que demorou muito depois do
primeiro, mas saiu. Em breve, voltamos com mais. E se tiver sugestões, escreva. Serão muito bem-vindas!