
Tudo começa de uma maneira mística e misteriosa. Richard Collier está comemorando a boa apresentação de sua peça na faculdade quando uma senhora se aproxima, lhe dá um relógio de ouro e diz: "volte para mim". Sabemos depois que essa senhora falecera naquele mesmo dia, mas Richard não sabe quem é, nem o que aquilo significa. Apenas oito anos depois, quando se hospeda em um hotel, ele se encanta por um retrato de uma atriz antiga: Elise McKenna. E, pesquisando, descobre que ela é a tal senhora que lhe deu o relógio. Sua jornada será, então, descobrir como pode viajar no tempo para estar com sua amada.

Somos convidados a embarcar neste amor de uma maneira muito peculiar. Sempre pela visão de Richard, vamos nos encantando com Elise aos poucos. Primeiro a senhora misteriosa, depois a bela na foto, passando pelas informações na biblioteca, até, finalmente, vê-la em 1912. O mistério que acompanha a busca, a dificuldade que Richard tem para conseguir atingir seu objetivo nos faz simpatizar com sua causa. Primeiro, na tentativa de ir ao passado. Depois, na tentativa de se aproximar dela quando chega lá. No momento em que Richard finalmente fica frente a frente com Elise, o encontro se torna emocionante ao extremo para o espectador. Não apenas por ele ter conseguido, mas pela forma como tudo é composto.


Ainda que em muitos momentos seja over, a trilha sonora é outro grande trunfo do filme. A música-tema criada por John Barry é de uma beleza ímpar, assim como o tema de Rhapsody on a Theme of Paganini, composto por de Sergei Rachmaninoff que se encaixa perfeitamente no clima do filme.
Em Algum Lugar do Passado pode não ser daqueles filmes que se tornam clássicos e eternos por sua técnica. Mas, a força do amor que constrói encanta ainda hoje.
Em Algum Lugar do Passado (Somewhere in Time, 1980 / EUA)
Direção: Jeannot Szwarc
Roteiro: Richard Matheson
Com: Christopher Reeve, Jane Seymour, Christopher Plummer
Duração: 103 min.