
Estreou hoje o filme
Aviões, nova animação da
Disney, utilizando o mesmo universo de
Carros, criada pela Pixar, que hoje pertence ao grupo de
Mickey Mouse. Uma tática de regionalização, que já foi feita em
Carros, é de colocar personagens de nacionalidades diversas, como o carrinho brasileiro que foi dublado pela cantora
Cláudia Leite em
Carros 2. Mas, era uma coisa bem pontual, quase não tinha falas e aparecia apenas na apresentação da corrida.
Em
Aviões, a
Disney foi além com o
Brasil, trazendo um avião-personagem de nossa nacionalidade. Um personagem secundário, é verdade, mas que tem destaque na trama. Muitos motivos podem justificar, entre eles, o fato de o
Brasil estar em destaque internacional, principalmente pelos eventos da
Copa do Mundo e
Olimpíadas, que sempre reverberam no
entretenimento. O outro, o fato de o pai da aviação ser nosso brasileiro
Santos Dumont. Tanto que o avião brasileiro se chama: Carolina Santos Duavião. Qualquer semelhança não deve mesmo ser mera coincidência.

Para dublar Carolina, a
Disney escolheu
Ivete Sangalo, que além de cantora, tem se aventurado na arte da interpretação. Já fez série, telenovela, filmes e agora dubla sua primeira personagem.
Ivete dublou a personagem não apenas na versão em português para o
Brasil, mas também na versão espanhola para toda a América Latina.
O CinePipocaCult esteve na Coletiva de Imprensa antes de uma sessão fechada do
filme no UCI Iguatemi esta semana. E, segundo a cantora, o convite a deixou muito feliz. "É meio que um sonho realizado", afirmou
Ivete. "A Disney me acompanha desde que eu sou criança até hoje. Eu assisto as animações da
Disney com a mesma expectativa, talvez até mais do que as crianças. Eu tenho uma ligação com a animação muito grande. Até mesmo antes de ter meu filho. Sempre fui apaixonada. Aí, imagina, você sempre viu aquilo, com outros artistas e dubladores. De um tempo para cá, os personagens vem sendo dublados por celebridades, atores, cantores, enfim. E chega a sua vez. Eu tô muito feliz de ter sido convidada", afirma.

Sobre o processo de
dublagem em si,
Ivete disse que não teve nenhuma dificuldade em realizar o trabalho. "Não há dificuldade, eu trabalho com a minha voz pra tantas coisas. Eu fiquei impressionada foi com o efeito
voz e
animação. A gente tem vozes de dubladores que já fazem parte do nosso imaginário, do nosso cotidiano. Então, eu assistir um desenho com a minha voz, tem um impacto, até porque eu não tenho uma voz aguda, natural desse tipo de dublagem. Tô mais para lobo mau que chapeuzinho vermelho (risos). E eu nunca tinha visto a minha voz separada do corpo, literalmente. Porque quando eu estou cantando, estou ali inteira, por mais que eu escute no rádio, eu sinto a minha presença. Então, quando o aviãozinho fala com a sua voz, é massa. Mas, eu não encontrei dificuldade, até porque é ritmo. Dublagem é ritmo, é musical. Eles colocam o tempo lá, você vê como o personagem reage, o tempo do personagem, e vai. Foi bem tranquilo. Eu queria mais, eles reservaram dois dias de gravação eu fiz tudo em uma hora. Não é difícil, porque é tudo muito prazeroso".
E para quem reclamar que não houve uma construção da personagem, uma interpretação diferente da cantora conhecida, saibam que foi a direção da própria
Disney que quis assim. "Eles me pediram para não fazer nada que descaracterizasse a minha voz, a personagem é baiana, brasileira, então, sou eu. Na versão da língua latina que eu dei um toque a mais, latina mesmo, até pelo conhecimento da língua. Mas, no
português as pessoas vão saber que sou eu, porque é o meu comportamento natural. Tinha algumas coisas que estavam caricatas, aí eu sugeri o texto, que é como a gente fala".
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Foto: Ricardo Prado |
Sobre outros projetos para o
cinema,
Ivete falou um pouco sobre seu próximo
filme,
Crô, previsto para estrear em novembro deste ano, em que ela faz a mãe do protagonista. "É bom ressaltar que eu fui a mãe de
Crô na infância. Porque de
Marcelo Serrado, aquele galalau, eu não posso ser mãe", brincou. "Agora, a experiência foi deliciosa. Foi breve, até pela minha disponibilidade de tempo que a minha vida é uma loucura. Mas, foi delicioso porque a mãe de
Crô é a semente de toda a história dele. Foi ela quem levou ele a ter esse comportamento de endeusar as mulheres, de cuidar das mulheres como jóias preciosas, até mesmo de submeter mais um pouco do que deve se submeter a qualquer ser humano. Em função do aprendizado que ele teve com a mãe. A mãe é a grande deusa dele. Então, foi bom fazer, ele é muito divertido. Marcelo é um cara fácil de trabalhar, é um grande ator. E eu lá, fazendo caras e bocas que ela é toda chique, toda perua".
Ivete adiantou ainda que outros projetos próprios estão sendo planejados. "A gente tem a possibilidade com a própria
Disney, relacionada a crianças. Meu projeto
Casa Amarela, tem a possibildiade de virar um produto audiovisual. Tenho planos como atriz, fora da
animação também. Mas, tem todo um processo demorado de captação de dinheiro, de roteiro, de preparação". E que tem muito interesse também em fazer um musical. "Eu tenho interesse em fazer um musical, mas o problema é o tempo. É uma dedicação de quinta a domingo, dedicação da voz. Jamais poderia conciliar meus shows com um musical. Seria impraticável, teria que abrir uma brecha na minha agenda. Então, tem que ser um planejamento de carreira. Agora, se for no
cinema, é tranquilo, dá para conciliar. Eu fiquei bem encantada com a possibilidade de atuar. É um negócio muito gostoso de fazer".
Agora, para quem se pergunta que fim levou a animação
Ivete Stellar, nem se anime. Segundo a
cantora, este projeto foi para a gaveta e não tem nenhuma previsão de sair de lá por agora. O que não acho que chegue a ser uma coisa ruim, já que apesar da boa técnica e boa intenção, o argumento parecia uma mistura fraca de diversos clichês.