
É isso que podemos conhecer com maiores detalhes na cinebiografia Jobs, dirigida por Joshua Michael Stern. E, por isso, o filme se torna interessante. Por podermos conhecer mais sobre os bastidores da mente desse homem incrível e de como ele foi formando seu império. Porém, o roteiro de Matt Whiteley em vez de tornar essa interessante vida em um interessante filme, parece mais preocupado em criar um vídeo motivacional que nos faça querer seguir o exemplo de Jobs.

Toda a apresentação do personagem até o momento que o vemos trabalhando na Atari é picotada e superficial. Constrói-se um perfil quase leviano de Jobs, o rapaz que largou a faculdade para fazer aquilo que acreditava. A narrativa se torna trechos soltos, costurados por clipes musicais que cansam e não nos aproximam do personagem de fato. A partir da jornada na Atari, esta questão melhora, mas nunca consegue criar a verdadeira empatia com o público.

Mas, uma coisa tem que ser destacada, a caracterização de Ashton Kutcher. É impressionante como vemos Steve Jobs e não o ator em tela. Não é apenas maquiagem, figurino e outros detalhes que o compõe como o famoso óculos redondo. Mas, toda a postura corporal, a forma de andar, o jeito de olhar. É impressionante, o cuidado de composição e a própria interpretação do ator que nos passa verdade.

Talvez essa aura de vídeo motivacional seja o fator mais prejudicial para o filme. Ainda que o didatismo em diversos momentos também pese contra. Uma pena, pois o personagem e sua história nos dão mesmo esse ar inspirador e curioso que poderia ser muito melhor trabalhado. Mais do que martelar ideias, é preciso envolver com uma boa história. E isso, Jobs, infelizmente não consegue. Ainda que preste o serviço de sanar algumas dúvidas e curiosidades.
Jobs (Jobs, 2013 / EUA)
Direção: Joshua Michael Stern
Roteiro: Matt Whiteley
Com: Ashton Kutcher, Dermot Mulroney, Josh Gad
Duração: 128 min.