
Nem vou entrar no mérito do subtítulo desnecessário que a distribuição brasileira nos trouxe. Rush merece mais do que isso. Até porque é um filme que resume a energia que circula nas veias de esportistas e apaixonados pelo esporte em geral. É mais do que um filme sobre dois pilotos, ou sobre automobilismo, ou mesmo sobre a Fórmula 1. O filme vai além de Niki Lauda e James Hunt, para falar da necessidade de se ter um alvo na vida. Precisamos de modelos para nos inspirar e para desejar superar. A rivalidade no esporte sempre foi benéfica, faz com que ambos queiram ser melhores a cada dia, superando limites e batendo recordes. Isto nos torna melhores.

Há uma tendência a colocar James Hunt como o mocinho e Niki Lauda como o bandido. Ainda que Hunt seja boêmio, mulherengo e irresponsável, enquanto Lauda seja o cara certinho. Isto porque o austríaco é construído como o chato, aquele que aponta o dedo para os defeitos, que ninguém quer por perto, que estraga qualquer diversão só pensando no trabalho. Mas, é interessante como, com o decorrer da trama, o roteirista brinca com estes estereótipos, nos dando momentos de virada para cada um deles, nos fazendo simpatizar e se irritar com ambos a cada vez.

As cenas da pista são um show a parte. Já é na televisão, quando vemos uma corrida de verdade, imagina no cinema, com tudo ensaiado. São detalhes da roda, do volante, da pista. Ron Howard utiliza muito uma câmera na altura da pista, mostrando parte dela e parte do acostamento que traz sempre uma adrenalina a mais a cada curva. Mesmo que você já saiba o resultado de cada uma daquelas corridas, ele consegue construir uma tensão e uma emoção nos fatos que realmente te envolvem.
De qualquer maneira, Rush é daqueles filmes que empolgam do início ao fim. Uma trama bem construída, com tensão e emoção constantes, para representar aquilo que o ser humano tem de mais genuíno, o espírito de competitividade. Mas, sem ser um fator negativo, é o verdadeiro espírito esportivo. Que nos move e motiva para querer sempre superar a nós mesmos. Ron Howard conseguiu nos apresentar mais uma boa obra para entrar na galeria de outras como Uma Mente Brilhante, Frost/Nixon e A Luta Pela Esperança.
Rush: No Limite da Emoção (Rush, 2013 / EUA)
Direção: Ron Howard
Roteiro: Peter Morgan
Com: Daniel Brühl, Chris Hemsworth, Olivia Wilde
Duração: 123 min.