
A comparação com Rodrigo Santoro é inevitável, já que acompanhamos sua luta há anos, vendo todas as piadas do "entra mudo e sai calado", fora aquele lamentável personagem da série Lost. Mas, é importante ressaltar que isto não se deve a talento. São dois grandes atores que já demonstraram sua capacidade em papéis diversos. Eu, pessoalmente, inclusive, prefiro a versatilidade Santoro. O fato é gerenciamento de carreira mesmo. Rodrigo Santoro foi para os Estados Unidos como um desconhecido, estudar e tentar a sorte. Wagner Moura ficou por aqui, fez um personagem forte, com grande destaque internacional (o Capitão Nascimento) e foi convidado para um filme. Tanto que já engatilhou outra produção, Trash, de Stephen Daldry, diretor de obras como Billy Elliot, As Horas e O Leitor. A diferença é que o filme está sendo feito aqui no Brasil mesmo. O ator ainda tinha sido escalado para viver o cineasta italiano Federico Fellini, porém, o diretor do projeto, Henry Bromell faleceu em março deste ano, deixando tudo em suspenso.

Para homenagear o marco, então, vamos aqui aos que considero os seus cinco melhores papéis no cinema.

Taoca - Não é apenas pela escolha sentimental do primeiro papel de destaque. Mas, Taoca tem um ar ingênuo e malandro ao mesmo tempo que realmente chama a atenção. Um homem simples que encontra o próprio Deus face a face e consegue desenvolver com ele uma conversa franca que transforma ambos. É um filme divertido, mas que também traz reflexões.

Joaquim - Gosto muito do humor de Jorge Furtado e Saneamento Básico brinca de uma maneira tão divertida com a arte de fazer cinema ao mesmo tempo em que ironiza o sistema de leis do nosso país que não podia ser esquecido nesta lista. Joaquim é o homem mais sensato em meio a toda essa confusão. Um rapaz bom, como dizem, que faz tudo para agradar sua esposa Marina, até se vestir de monstro do pântano para um filme absurdo. A cena final dele andando pela praça, enquanto a projeção acontece é bastante simbólica. Wagner Moura consegue nos passar todas as nuanças daquele personagem que faz graça, mas não vive do riso.

Marcelo - Aqui, Wagner Moura entra em um limiar delicado, a mente humana. Não é fácil fazer um homem transtornado, ainda mais com múltiplas personalidades. Um rapaz traumatizado e sem escrúpulos que simplesmente aplica golpes para sobreviver. O filme acabou reconstruindo o verdadeiro golpista, dando um toque mais melodramático com a questão não resolvida do pai. Ainda assim, é um filme instigante, com uma bela interpretação do ator.

Zero - Com O Homem do Futuro, Wagner Moura contracenou consigo mesmo em três estágios diferentes. O protagonista Zero viaja no tempo e acaba se desdobrando em diversos "eus" passados, futuros e paralelos que exigem do ator uma interpretação ainda mais versátil. E o resultado é bastante satisfatório. Wagner Moura consegue nos convencer de cada um dos personagens dentro do principal, criando uma empatia e nos fazendo torcer por sua trajetória.

Capitão Nascimento - Mas, claro, que nenhum personagem será tão marcante em sua vida quanto o Capitão Nascimento. Personagem que nem seria o protagonista original da trama, mas que por sua interpretação e pela força que traduzia acabou ganhando o destaque dentro da sala de montagem. Boa parte do sucesso do filme se deve à interpretação de Wagner Moura e das camadas que este personagem possui. Não é herói, nem vilão, mas se torna ambos a depender da visão de quem o julga. Um filme que foi taxado de fascista por alguns e ganhou prêmios significativos como o Urso de Ouro em Berlim. E elevou o nome de Wagner Moura ao estrelato.