
Cansadas dos abusos dos homens em uma sociedade machista, um grupo de mulheres se unem em uma espécie de irmandade secreta. É o Foxfire que traz uma série de regras e juramentos, onde a principal delas é atacar o inimigo em comum: o homem. As criadoras da seita, Maddy e Legs são uma espécie de líderes idolatradas, principalmente a rebelde Legs que as guia em todas as jornadas. Mas, é através da narração de Maddy que ficamos conhecendo a história.

Em contrapartida, o maior trunfo da trama é a construção de suas personagens. Não apenas Legs e Maddy, mas cada uma das integrantes do grupo é bem construída em suas pequenas nuanças, a começar por Rita, a garota abusada e humilhada pelo professor de Matemática. Passando por Goldie, Lana, VV e todas as demais, que mesmo pouco exploradas, constrói uma camada a mais que simples estereótipos e tipos.

Através da trajetória dessas meninas, o roteiro de Foxfire acaba discutindo machismo, situação da mulher na sociedade, justiça, socialismo, posição social e econômica, preconceitos, altruísmo, lealdade, abuso de poder e até racismo. Alguns temas são quase velados, outros discutidos de uma maneira mais aberta e incisiva. De qualquer forma, estão todos lá.
Foxfire - Confissões de uma Gangue de Garotas é, então, um filme instigante. Possui um tema forte, personagens cativantes e envolventes. Porém, o roteiro acaba se perdendo em tanta informação. Mesmo com a narração em voz over ajudando a nos guiar, fica cansativo acompanhar tantos desdobramentos. Ainda assim, existe uma sensibilidade visível no olhar sobre essas meninas e suas escolhas de vida.
Foxfire - Confissões de uma Gangue de Garotas (Foxfire, 2013 / Canadá)
Direção: Laurent Cantet
Roteiro: Robin Campillo, Laurent Cantet
Com: Raven Adamson, Katie Coseni, Madeleine Bisson
Duração: 143 min.