
Com Big Dad morto e Hit-Girl adolescente, os conflitos se intensificam e Dave continua se perguntando sobre seu papel no mundo. Ser um super-herói real é o caminho para tornar o mundo um lugar melhor? Qualquer pessoa pode vestir uma fantasia e se auto-intitular um justiceiro? E se tem heróis, por que não vilões? É o que pensa o jovem órfão Chris D'Amico, antes o Red Mist, agora o Motherfucker.

Toda a trama de Mindy tentando se enquadrar, com as três meninas populares, o carinha que marca um encontro e até mesmo sua relação com Dave, parecem descaracterizar um pouco a série. Mas, tem sua função. Afinal, ao contrário dos quadrinhos, Hit-Girl cresceu, é uma adolescente de fato e é preciso se adaptar ao mundo. Isso faz também com que a gente esteja mais próximo da personagem que é de longe a melhor da história.

É compreensível que isso aconteça. Porque o questionamento de Dave pode vir a passar pela cabeça de qualquer um, imagine se cidadãos começassem de fato a se fantasiar e ir para as ruas caçando bandidos? Mas, ao mesmo tempo, toda a preocupação com a realidade tira um pouco do brilho e diversão que vimos no primeiro filme. Ainda que tenha até repetições de estratégias como a cena da invasão ao jogo chinês, onde a música escolhida constrói uma ironia, a exemplo do primeiro ataque da Hit-Girl no primeiro filme.

Mesmo não sendo tão bom quanto o primeiro, Kick-Ass 2 mantém um ritmo elétrico de uma aventura diferente, com cenas de lutas bem orquestradas, um elenco envolvido e dedicado, além de um bom timing na ação. E, além de tudo, cumpre uma função narrativa. Se no primeiro, Dave questionava a possibilidade de ser um super-herói, aqui, ele vai entender que sair por aí fantasiado caçando bandidos tem mais consequências do que podia imaginar.
P.S. Tem uma cena pós-créditos que muda um detalhe da resolução.
Kick-Ass 2 (Kick-Ass 2, 2013 / EUA)
Direção: Jeff Wadlow
Roteiro: Jeff Wadlow
Com: Aaron Taylor-Johnson, Chloë Grace Moretz, Christopher Mintz-Plasse, Morris Chestnut, Amy Anzel, Jim Carrey
Duração: 103 min.