
A tradução brasileira continua me impressionando em suas escolhas para títulos nacionais.
The Counselor se transformar em
O Conselheiro do Crime diante da trama que o
filme nos apresenta é incrível. Tudo bem que em uma tradução literal
Counselor é
Conselheiro, porém, no sentido do
filme é apenas a indicação do "título" do personagem de
Michael Fassbender que é
advogado. Inclusive os personagens só se referem a ele como
Counselor, que na legenda virou "doutor". E se tem uma coisa que o seu personagem não é capaz de fazer é aconselhar ninguém, ele está mais é precisando de bons conselhos.
Pois, o
Counselor (sim, o personagem nem tem nome) está começando a se envolver no mundo do
crime, através do tráfico de
drogas na divisa entre o México e os Estados Unidos. Querendo os louros do
dinheiro que isso traz, ele tenta, no entanto, não atrair para si as consequências. Sua intenção é apenas ter uma vida confortável ao lado da mulher que ama, Laura, vivida por
Penélope Cruz. A cena de abertura do
filme, inclusive, é do casal na cama, em um clima de sensualidade que os leva a um
sexo oral. Não deixa de ser instigante que um
filme que fale de drogas, violência e escolhas, comece assim.
Cormac McCarthy, romancista que já teve alguns livros seus adaptados para o
cinema, a exemplo de
A Estrada e
Onde os Fracos não Têm Vez, dessa vez assina também o roteiro. E para um primeiro roteiro cinematográfico, a economia narrativa é bastante instigante. Inclusive na implantação das pistas que serão colhidas na resolução, indicando o destino de cada um dos personagens. A cena que envolve um DVD é uma das mais fortes do
filme, pena que ele tentou explicar demais com a cena posterior.
A atmosfera do
filme é bem próxima a de
Onde os Fracos não Têm Vez, nos trazendo esse mundo cão por um viés irônico, incômodo e até mesmo sem sentido. Porém, a direção de
Ridley Scott, longe de embarcar nesse clima como tão bem fazem os irmãos Coen, torna tudo sério demais. O
filme se torna, então, quase tolo. Não parece haver um propósito para sua existência, quando não há a possibilidade de explorar essa atmosfera como ela merecia.

O elenco estelar chama a atenção, claro. E apesar de
Michael Fassbender estar muito bem em sua construção, o seu personagem acaba se perdendo no caminho. Ao contrário de
Cameron Diaz que vai ganhando um ar instigante a cada tomada, desde sua composição física com direito a tatuagem de pele de onça, até suas atitudes no decorrer da trama.
Javier Bardem, apesar de ótimo ator, tem um personagem caricato demais, com direito a um bronzeamento artificial bastante exagerado. Já
Penélope Cruz cumpre o seu papel de mulher ingênua e apaixonada. Enquanto
Brad Pitt tem uma participação pontual, porém, marcante.

O impacto da violência por traz desse mundo do crime não poupa efeitos especiais. Temos boas cenas de tiro, fortes cenas de morte e até uma decapitação que joga uma cabeça no chão, como quem atira um obstáculo qualquer ao chão. Nesse ponto, a direção de Ridley Scott consegue nos dar bons momentos de ação, principalmente nas cenas da estrada. Mas, de fato, tudo é levado a sério demais para uma visão que deveria mesmo ser mais crua e irônica.
No final,
O Conselheiro do Crime é menos do que prometia. Um
filme que já tinha tido problemas nos bastidores com a dança do elenco. Angelina Jolie seria Malkina, no lugar de
Cameron Diaz. Natalie Portman seria Laura, no lugar de
Penélope Cruz. Possibilidades que não necessariamente tornariam o
filme melhor ou pior. Apenas diferente. O fato é que pareceu mesmo um casamento errado de roteiro e direção.
O Conselheiro do Crime (The Counselor, 2013 / EUA)
Direção: Ridley Scott
Roteiro: Cormac McCarthy
Com: Michael Fassbender, Penélope Cruz, Cameron Diaz, Javier Bardem, Brad Pitt
Duração: 117 min