
A história de Serra Pelada mexe com o imaginário popular. A obra faraônica que movimentou cerca de 100 mil homens em busca de ouro nos anos 80 no país é mesmo fascinante. É até hoje o maior garimpo a céu aberto já visto e muita gente ficou mesmo milionária, ainda que a grande maioria tenha apenas sofrido.

Diante de um fato histórico tão forte com inúmeras possibilidades de recorte, Heitor Dhalia e Vera Egito tiveram o cuidado de construir o particular para contar uma história. E encontrou nos amigos Joaquim e Juliano um argumento interessante. Assim, como muitos, eles foram ao Pará em busca do sonho do ouro, mas cada um tinha sua motivação principal e personalidade que os leva por caminhos diferentes.

A narração em voz over é outro problema. O cinema brasileiro poucas vezes soube utilizá-la de uma maneira funcional como os filmes noir, por exemplo. Aqui, Heitor Dhalia tenta construir um estilo, a exemplo de Tropa de Elite, só que com algumas doses didáticas irônicas que lembram Ilha das Flores. Porém, muitas vezes, acaba sendo apenas didática e repetitiva mesmo.

O elenco, em geral, funciona, porém não posso deixar de destacar a participação de Wagner Moura como o personagem Lindo Rico. A sua primeira cena é uma das melhores, senão a melhor, do filme. É possível perceber a ironia pesada a exemplo do filme Cheiro do Ralo e a forma como o ator parece brincar no set. Não podemos esquecer que ele é também produtor do longa-metragem.
No geral, Serra Pelada possui uma história padrão, com mocinhos e vilões, porém, onde o mocinho é mal construído, não criando a empatia necessária. Mas, que ainda assim funciona por causa do elenco, da composição estética e, principalmente, pela reconstituição de uma época tão emblemática do nosso país.
Serra Pelada (Serra Pelada, 2013 / Brasil)
Direção: Heitor Dhalia
Roteiro: Heitor Dhalia, Vera Egito
Com: Juliano Cazarré, Júlio Andrade, Wagner Moura, Sophie Charlotte, Laura Neiva, Matheus Nachtergaele
Duração: 120 min.