
Chinatown é um exemplar raro de um noir colorido e sem o acentuado contraste de claro e escuro. Toda a fotografia do filme é leve, com nuanças suaves, que diferem de uma das principais características do gênero popularizado nos Estados Unidos entre as décadas de 30 e 50. De qualquer maneira, o clima dúbio, com um detetive particular como protagonista, ambientado no submundo do crime, com uma femme fatale para confundir a ele e a nós, não deixa dúvidas do que estamos vendo.

O mistério em torno do assassinato do empresário Hollis Mulwray e toda a questão da água da região se torna interessante pela forma como é contada. As implicações do caso, a falsa Sra. Mulwray que contrata Gittes para descobrir o caso do marido, as reviravoltas, o assassinato, a figura da personagem de Faye Dunaway, Evelyn Mulwray, o policial Escobar, o misterioso Noah Cross. Tudo vai acrescentando mistério e interesse em dosagens corretas.


Jack Nicholson merece um destaque a parte como o detetive J.J. Gittes. A construção do personagem ganha muito com o trabalho do ator, que empresta mais do que o carisma já citado. Há alma em Gittes que o torna real, crível e próximo de nós. Sempre curioso e nunca desistindo de buscar a verdade. Já Faye Dunaway consegue nos deixar em dúvida em relação ao caráter e intenções de sua personagem Evelyn Mulwray, cumprindo o papel que ela exerce na trama.
Chinatown é uma das mais belas obras de Polanski. Um filme que permanece em nossa mente como um símbolo de uma época. E curioso também que seja um dos únicos filmes noir fora da época áurea do movimento.
Chinatown (Chinatown, 1974 / EUA)
Direção: Roman Polanski
Roteiro: Robert Towne
Com: Jack Nicholson, Faye Dunaway, John Huston
Duração: 130 min.