
A trama gira em torno do garoto Harold. Um jovem depressivo, que vive pregando peças em sua mãe, fingindo suicídios. Fora isso, seu único passatempo é frequentar velórios. E é em um deles que conhece uma senhora bastante atípica. Maude vive sob suas próprias regras e emana uma energia que conquista o garoto aos poucos. Ou seja, ela o ensina não apenas a viver, como a gostar e ver sentido na vida.

Uma das coisas que chama a atenção no filme é a forma como Hal Ashby brinca com a montagem da trama. Quando, por exemplo, a mãe de Harold diz que ele precisa se casar, a próxima cena começa com um plano detalhe de um altar de uma igreja. Só depois revela que é mais um velório onde o garoto está. Porém, quando a gente pensa que era apenas uma brincadeira irônica, vem um plus. É neste velório que Maude conversa com Harold pela primeira vez.

A cena em que ela preenche a lista do programa matrimonial por ele é outra extremamente simbólica. Ela começa preenchendo como se fosse ele e vai gradualmente substituindo por ela. No final, já nem percebe ele ali na sala, nem diz mais "você gosta disso, né, Harold?". Ela simplesmente assume o lugar do entrevistado.

E não deixa de ser irônico quando ele percebe um pequeno detalhe no braço dela, que pode explicar muito dos seus comportamentos diante da vida. Maude deixa de ser um mistério, uma senhora maluquinha, para se tornar um ser humano extremamente belo.
Ensina-me a Viver não se tornou um clássico por acaso. Ele chuta as convenções, os preconceitos e nos apresenta uma história honesta sobre o encontro de almas. Um filme que inspira a sermos melhores e apreciarmos as boas coisas que passam por nós. Quem sabe até, procurar tocar um instrumento para nos dar ritmo à vida.
Ensina-me a Viver (Harold and Maude, 1971 / EUA)
Direção: Hal Ashby
Roteiro: Colin Higgins
Com: Ruth Gordon, Bud Cort, Vivian Pickles
Duração: 91 min.