
Bill Marks é um agente de voo responsável pela segurança dos passageiros locais. Porém, sua rede privada acaba sendo invadida por uma pessoa que ameaça matar uma pessoa no avião a cada 20 minutos, caso US$ 150 mil não sejam depositados em determinada conta. Desconfiado, ele alerta a tripulação e investiga os passageiros procurando saber a veracidade da ameaça. Porém, quando a primeira pessoa morre, ele percebe que o jogo é bem mais complexo do que esperava.
Diretor de obras como A Casa de Cera, A Órfã e Desconhecido, Jaume Collet-Serra já provou que sabe manipular os elementos fílmicos para construir bons efeitos de tensão e despertar a curiosidade do público. Aqui, não é diferente. Desde a primeira cena, colamos no personagem de Liam Neeson porque pouco nos é ofertado sobre ele. E tudo que vai se desenvolvendo até que ele receba a primeira mensagem do terrorista é muito bem planejado e construído.

A inserção da personagem de Julianne Moore e da comissária vivida por Michelle Dockery também são providenciais para nos aproximar do personagem. A primeira quer sentar na janela e acaba conseguindo trocar de lugar com outro passageiro, nos dando algumas suposições posteriores. Fora que é o primeiro ponto para Bill falar um pouco dele. A segunda, já conhecia Bill e até o fato dele pedir uma Gin Tônica e ela trazer água já demonstra que o seu problema com bebidas é relevante.

Mas, temos ainda cuidados estéticos interessantes, como quando ele usa um celular quebrado e as mensagens vão aparecendo para nós com as falhas do visor. Aliás, o recurso da aparição das mensagens intercalando na tela do aparelho e na tela do cinema traz uma dinâmica interessante, agilizando a montagem e tornando a linguagem atual para os tempos de hoje.

No entanto, tanta curiosidade e expectativa acaba sendo frustrada no terceiro ato quando as coisas precisam começar a se revelar para a resolução. Temos exageros, tons errados na condução da maioria dos profissionais contactados por Bill e até mesmo uma queda para o exagero emotivo com uma criancinha a bordo. Isso sem falar na revelação em si que traz problemas e outros pequenos furos.
De qualquer maneira, Sem Escalas consegue superar o Desconhecido que traz falhas mais complexas na condução narrativa. Acaba sendo um filme de ação com suspense bastante eficaz em sua maior parte do tempo.
Sem Escalas (Non-Stop, 2014 / EUA)
Direção: Jaume Collet-Serra
Roteiro: John W. Richardson, Christopher Roach
Com: Liam Neeson, Julianne Moore, Lupita Nyong'o, Scoot McNairy, Nate Parker, Michelle Dockery
Duração: 106 min.