
O grande trunfo de Trapaça é mesmo o seu elenco, ou a direção de elenco que David O. Russell impõe, é possível. Principalmente ao associar a seu último trabalho. O problema é que, com a imposição do bom trabalho de direção de atores e repetição dos mesmos, vem também uma certa repetição dos tipos. Principalmente Jennifer Lawrence que em muitos momentos parece uma reedição de sua personagem de O Lado Bom da Vida. Bradley Cooper, apesar de um personagem completamente diferente, também repete olhares e trejeitos do anterior.

Os diálogos são bastante ágeis, e nisso reside também outro trunfo de David O. Russell. Com um bom roteiro, interpretado por atores bem dirigidos, o filme fica envolvente. E talvez nessa sacada tenha feito tantas pessoas acharem tão bom, quando, na verdade, é apenas um filme tolo bem maquiado.


Porém, como disse, Trapaça funciona quando não se leva a sério. Quando cria situações ridículas e expõe seus personagens a cenas esdrúxulas. Neste ponto, nos lembra um pouco os irmãos Coen, no estilo "Queime depois de Ler", por exemplo. Principalmente na forma como o FBI vira um joguete de ações desencontradas. Ou quando referências a diversos outros filmes flutuam no ar.
Ainda assim, Trapaça não é tudo isso que sua trajetória por premiações parecia dizer. Nem na trama, nem na direção, nem no desenho de produção, nem mesmo nas atuações, que estão boas, repito, mas nada de extraordinário para mais uma vez bater recordes de indicações. Um filme do qual se esperava muito mais.
Trapaça (American Hustle, 2013 / EUA)
Direção: David O. Russell
Roteiro: Eric Warren Singer, David O. Russell
Com: Christian Bale, Amy Adams, Bradley Cooper, Jeremy Renner, Jennifer Lawrence, participação Robert De Niro
Duração: 138 min.