
A história de Derek Vinyard é construída de uma maneira interessante. Há o mito formado na mente do seu irmão mais novo, Danny, interpretado por Edward Furlong. Há os flashbacks de sua trajetória desde um pouco antes da morte do pai até a prisão. E há ele após a prisão. Aqui, o roteiro não linear funciona muito bem, nos conduzindo entre causas e consequências de uma transformação intensa de um personagem tão complexo.

Não precisa dizer que eles ignoram o fato da terra ser antes dos índios e que os negros foram para lá sequestrados de seu próprio país. Mas, não deixa de ser assustadoramente interessante a forma como se reúnem, acreditando na legitimidade dos seus argumentos e idolatrando um homem como Adolf Hitler, a ponto de ter posteres seus espalhados pela casa.


Diante de um tema tão forte e tantas cenas de intensidade emocional, é natural que os atores se destaquem. Edward Furlong, o eterno garoto de O Exterminador do Futuro II, consegue dosar muito bem suas emoções, passando verdade em Danny. Mas, o filme é mesmo de Edward Norton que nos dá todas as camadas de Derek, desde o garoto quase ingênuo conversando com o pai, passando pelo líder neo-nazista até o homem experiente. Não são poucos os momentos em que ele consegue impressionar com a intensidade de sua atuação.
A Outra História Americana nos dá apenas um vislumbre de um tema ainda tão complexo criado por uma história injusta que segrega seres humanos a raças, nacionalidades e cor de pele, como se isso fizesse de fato alguma diferença. Um filme que ajuda a pensar, observando pequenas atitudes e todas as suas consequências.
A Outra História Americana (American History X, 1998 / EUA)
Direção: Tony Kaye
Roteiro: David McKenna
Com: Edward Norton, Edward Furlong, Beverly D'Angelo, Fairuza Balk
Duração: 119 min.