
Na trama, um músico apaixonado pela América e uma tatuadora se envolvem, se apaixonam, passam a cantar juntos, casam, tem uma filha, mas a garotinha é diagnosticada com câncer e isso desestabiliza os dois e seus sonhos. E o grande problema é que tudo isso nos é passado de uma maneira embaralhada em um roteiro não linear que esvai a emoção e intensidade da obra, mas que, de qualquer maneira, é um filme interessante.

Separo duas delas, tentando não dar spoilers. A cena do hospital, quando Didier encontra Elise e a filha Maybelle na cama. E uma cena um pouco depois disso, quando Elise, Didier e mais três familiares olham para determinado objeto com o pesar que é devido. Tem ainda a cena em que os dois estão tendo relações sexuais e ela chora compulsivamente. Na ordem em que tudo é construído só me lembra a música de Chico Buarque, "na bagunça do seu coração, meu sangue errou de veia e se perdeu".

Dito isto, não acho que Alabama Monroe seja um filme ruim. Pelo contrário, há muito de belo ali. Seja na triste e intensa história, na atuação dos atores ou até nas músicas que embalam a trama, com diversos clipes melancólicos e emocionantes. Há cenas extremamente sensíveis e belas. Mesmo quando força a paixão de Didier pela América vendo discursos de George Bush na televisão e xingando a proibição das pesquisas com células-tronco.
Alabama Monroe traz diversas nuanças, mesmo no nome que se revela quase tolo com direito a uma escolha de direção para assinar a trama quase brega, mas que demonstra uma sensibilidade. Uma busca por emoções autênticas e não apenas manipulações baratas. Há mérito nisso. Um filme que poderia envolver mais, ainda assim, dá conta do seu recado.
Alabama Monroe (The Broken Circle Breakdown, 2012 / Bélgica)
Direção: Felix Van Groeningen
Roteiro: Carl Joos e Felix Van Groeningen
Com: Veerle Baetens, Johan Heldenbergh, Nell Cattrysse
Duração: 111 min.