
Na verdade, dizer que a Bélgica o acolheu é quase um eufemismo. Na verdade, seu pai foi para lá trabalhar em minas sonhando com uma vida melhor. A família, que a princípio ficou na Itália, acabou seguindo-o e sofrendo com a difícil adaptação. Vistos como estrangeiros e alvos de preconceitos, os italianos tinha diversas privações no país, desde preconceitos nos colégios ou comércio local, até na dificuldade de se colocar no mercado de trabalho. Filho de mineiro, teria que ser mineiro.

Todo o sofrimento e injustiças passados por Rocco e sua família são detalhados por Stijn Coninx, pesando a mão na emoção. Não chega a ser piegas, mas força algumas passagens em um roteiro longo e repetitivo que poderia condensar melhor as quase duas horas de projeção. A própria relação de Rocco com a música é desenvolvida tardiamente, reservando muito tempo nas dificuldades com o pai.

A música, no entanto, norteia as escolhas Rocco, até sua relação com Helena começa através da música que a menina está ouvindo no rádio. Uma música italiana, claro, que ele ainda cantará muito para ela. É interessante como o filme vai permeando o filme com as melodias, nos familiarizando com o ritmo, com a voz do personagem, criando o clima para o desfecho.

No final das contas, Marina é uma cinebiografia que não esconde seu objetivo de nos vender um artista, pouco conhecido na maioria dos países, como um talento nato que merece o reconhecimento pela luta que foi sua vida. Não deixa de cumprir seu objetivo, já que saímos do cinema cantarolando o refrão de Marina. De quebra, nos apresenta o jovem Matteo Simoni. Porém, enquanto cinema, poderia ser muito mais. Principalmente por seu diretor e por ter as mãos dos irmãos Dardenne na produção.
Marina (2013 / Bélgica, Itália)
Direção: Stijn Coninx
Roteiro: Rik D'Hiet
Com: Matteo Simoni, Cristiaan Campagna, Luigi Lo Cascio
Duração: 118 min.