
Quando ele surgiu, era um monstro resultado de experiências nucleares e causava medo. Aos poucos, foi ganhando a simpatia do público e vivendo aventuras diversas onde salvava a humanidade de outros monstros. O roteirista Max Borenstein e o diretor Gareth Edwards tentaram não perder nada disso. Só que agora, Godzilla é um monstro pré-histórico que se alimenta do núcleo da Terra e acorda sempre que há alguma ameaça. É um restaurador do equilíbrio, como defende o personagem de Ken Watanabe.

Pena que isso dura pouco, e temos que acompanhar a saga de Ford Brody, vivido por Aaron Taylor-Johnson, o filho do casal. Completamente diferente de Kick-Ass, o ator até tenta segurar o drama, o problema é que a narrativa começa a construir arremedos sem muito sentido e fica difícil comprar a ideia da trama. Aliás, tudo parece solto e perdido, apenas uma desculpa para a humanidade presenciar uma luta de proporções gigantescas entre Godzilla e outros dois monstros.

Seria mais interessante ficarmos mesmo apenas como espectadores desse reequilíbrio natural proposto pelo Dr. Ichiro Serizawa (Ken Watanabe), pois as tentativas de interferências humanas são tolas e cheias de questões mal resolvidas no roteiro. Os personagens soam estereotipados, as situações são clichês e com tudo isso, os atores não ajudam muito. Falta identificação, falta drama, falta empatia com o espectador que começa a questionar tudo que vê em tela. E isso é péssimo para um filme. Parece mesmo que o personagem de Bryan Cranston era o único construído com alguma profundidade.

No final, Godzilla não é o grande filme que prometia ser, mas funciona enquanto entretenimento. O roteiro é fraco, há absurdos que quase insultam nossa inteligência, os personagens não funcionam e os atores estão perdidos. Exceto, repito, pela primeira parte com Bryan Cranston e Juliette Binoche. Mas, os bichos cumprem sua parte e Godzilla comprova que é mesmo o deus dos monstros.
Godzilla (Godzilla, 2014 / EUA)
Direção: Gareth Edwards
Roteiro: Max Borenstein
Com: Aaron Taylor-Johnson, Elizabeth Olsen, Bryan Cranston, Juliette Binoche, Sally Hawkins, Ken Watanabe
Duração: 123 min.