
Mais uma vez,
Salvador recebe a edição do
In-Edit Brasil,
festival de
documentários musicais que há 6 anos acontece no país. A partir de hoje, o público baiano poderá acompanhar o Panorama Nacional com 11 títulos inéditos, entre eles Cauby – Começaria tudo outra vez, de Nelson Hoineff, O Rap pelo Rap, de Pedro Henrique Fávero e Mario Lago, de Marco Abujamra e Markão Oliveira. E o Panorama Mundial com 8 filmes inéditos no circuito comercial, com títulos como Bayou Maharajah: The Tragic Genius Of James Booker, de Lily Keber, As The Places Burn, de Don Argott e Good Ol’ Freda, de Ryan White.
Este ano, o
Festival acontece na
Sala Walter da Silveira, instalada na Biblioteca Pública dos Barris, que ontem ofereceu uma sessão especial de abertura lotada com a exibição do
filme Olho Nu, de Joel Pizzini, sobre o cantor
Ney Matogrosso.

O
filme resgata a carreira do cantor de uma maneira bastante livre e performática, tal qual o objeto documentado. É interessante ver a mistura das diversas imagens de arquivo misturadas a imagens de
Ney na natureza ou em sua casa, em uma narrativa que não respeita ordem cronológica ou mesmo temática, mas se deixa levar por pensamentos, estado de espírito e, claro, muita
música. Talvez por se manter tão solto, o
filme acabe pecando apenas em tentar puxar a lógica, tornando-se didático ao criar quase uma foto legenda em diversos momentos, com depoimentos do artista que puxam algumas músicas que fale sobre o tema, como quando ele fala "se tiveram a coragem de jogar uma bomba no Japão, eu não duvido de nada da humanidade", seguido de um mini-clipe de
Rosa de Hiroshima.

De qualquer maneira, o
documentário empolga, seja pelo estilo livre, pela quantidade de imagens de arquivo ou pela energia do próprio artista. Não por acaso, foi o grande vencedor do júri popular, em São Paulo. O vencedor do júri técnico,
Triunfo de Cauê Angeli e Herani Ramos, sobre o ícone
Nelson Triunfo, passa hoje às 18h, seguido de
A Farra do Circo de Roberto Berliner e Pedro Bronz, que resgata os tempos do
Circo Voador, que levou menção honrosa do júri.
Outros dois destaques da edição deste ano são
20 Feet From Stardom, de Morgan Neville que levou o Oscar de Melhor Documentário este ano. E
The Punk Singer, de Sini Anderson, que foi o grande vencedor do In-Edit Barcelona de 2013. O primeiro, mostra a vida das backing vocals do cenário pop mundial. O segundo, conta a vida de
Kathleen Hanna, líder das bandas Bikini Kill e Le Tigre.

O que chama atenção no
In-Edit é a variedade de
documentários musicais que tem pouco acesso no país, não apenas no circuito comercial, mas até mesmo no alternativo e de arte. Há poucas opções de janelas para esse tipo de
filme. E é interessante também ver duas artes se misturando de maneira tão harmônica, já que o festival atrai uma boa quantidade de amantes da música e não apenas de
filmes.
Pela experiência dos outros anos, as sessões mais disputadas são sempre as que falam de algum artista ou banda muito conhecida, levando fãs a buscarem mais sobre seus ídolos. O que faz sentido, claro. Mas, acaba restringindo as possibilidades. Já que muitas vezes os
documentários mais interessantes em relação à linguagem cinematográfica não são exatamente desses artistas. De qualquer maneira, é sempre bom ver a diversidade.
O
In-Edit em
Salvador vai até o dia 18 de maio e a programação completa do Festival pode ser baixada
aqui e maiores informações, você encontra no site do
evento.