
O filme acaba não sendo sobre futebol, mas sobre os bastidores. A questão familiar, a origem pobre, a oportunidade através das chuteiras, o sonho e a função dos agentes. O filme não toma um partido, nem tem uma visão determinista do fato, isso o torna interessante.
Temos a realidade de cinco garotos com momentos e destinos distintos. Um deles, não tão garoto mais, é Dante, zagueiro do Bayern de Munique e da seleção brasileira. Dos cinco retratados é o que já está com uma carreira sólida e vai representar o Brasil na Copa do Mundo. Os outros possuem situações diversas, inclusive um deles que está sem clube pode acabar não tendo um final tão feliz.

Mas, há também os jogos e negociatas do mundo empresarial por trás de tudo isso. Uma das mães reclama, por exemplo, que o filho foi vendido por 4 milhões, mas menos de um milhão ficou para eles. Há também o interesse dos clubes europeus de comprar o garoto ainda novo, quando não é nem mesmo uma grande promessa, para diminuir o custo. São apostas complexas que vão além de esporte. Só que tudo de forma bem racional, sem um apelo de vítimas e vilões.

É interessante mostrar que qualquer um pode ser um Dante, realizando o sonho de representar o seu país em uma Copa do Mundo, mas também pode ser como um Thiago, que passa por diversas dificuldades e está hoje sem perspectivas. São dois extremos de uma realidade com diversas nuanças, que Mata Mata consegue passar de maneira interessante, ainda que não aprofunde nenhum dos casos.
Mata Mata (Mata Mata, 2014 / Alemanha)
Direção: Jens Hoffmann
Roteiro: Jens Hoffmann e Cleo Comino
Duração: 90 min.