
A síndrome de Peter Pan parece perseguir os americanos. Vez ou outra nos deparamos com
comédias que usam essa premissa e colocam adultos em situações ridículas por simplesmente não querer crescer.
Vizinhos faz isso, utilizando de todos os clichês e apelos sexuais e escatológicos como um digno
besteirol americano. Mas, apesar de tudo, acaba sendo um
filme divertido e com sua dose de inteligência ao fazer
piada de si mesmo.
A trama é focada no casal Mac e Kelly, interpretados por
Seth Rogen e
Rose Byrne. Pais de primeira viagem, eles ainda estão aprendendo a se organizar na nova rotina com a bebezinha pequena. Mas, ao mesmo tempo, não parecem querer atravessar completamente essa nova fase da vida adulta. Kelly sente falta da rua, quer ir para as
baladas com as amigas, Mac fuma maconha nos intervalos do trabalho com um colega bem mais novo, e ambos parecem entediados com a calma da
vizinhança. Até que uma república
universitária se muda para a casa ao lado. Liderados por Teddy Sanders, interpretado por
Zac Efron, o grupo faz
festas intermináveis e a convivência se torna quase insuportável.

Este paradoxo é a única parte realmente trabalhada do roteiro. Ao mesmo tempo em que o casal não quer perder a ideia de uma
juventude ainda que tardia, eles querem o sossego de volta. E com o sossego, eles sentem falta da bagunça. É uma confusão mental bastante justificável diante dessa síndrome, ao mesmo tempo em que se tem consciência das responsabilidades. Na verdade, eles estão adorando odiar tudo isso. E no meio deles, está a pequena bebê que só faz rir e amolecer nosso coração toda vez que entra em cena.

Não é de hoje que os adolescentes são retratados como bobos nos
filmes. E em
Vizinhos isso não é diferente. A república se intitula quase uma seita chamada
Delta Psi. O sonho de seu líder é entrar para o mural dos feitos históricos que incluem coisas como
ping pong de cerveja e vômito na bota. O que nos mostra o quão importante isso é para a vida de qualquer ser humano. Mas, o interessante é que isso também é questionado e trabalhado no
filme. É como uma fase da vida, onde somos tolos e achamos que o mundo se resume a isso.

Neste ponto, acaba sendo divertido ver a rotina de festas e brigas entre
vizinhos com idade mental parecida, ainda que em fases fisiológicas distintas. Não deixa de ser uma comparação interessante, uma jornada paralela onde ambos se igualam em bobagens e dramas. Mas, o que vale mesmo é encará-lo como um
entretenimento sem maiores pretensões.
Completamente politicamente incorreto, o
filme nos diverte se não o levarmos tão a sério. As
piadas são bobas, mas divertidas, a gente ri. E essa é a principal função do
filme. Mesmo com coisas simples como um
airbag disparando em local não esperado. E
Seth Rogen e
Rose Byrne acabam se tornando um casal inusitado, mas com química. Enquanto que
Zac Efron está ali para delírio das meninas com seu corpo bem torneado e sua carinha de menino bonito.
Vizinhos é um
besteirol. Não se priva de ser um
besteirol com apelos, sem se preocupar com o teor das
piadas, nem qualquer tipo de censura diante do politicamente correto. O que vale mesmo é a farra. É aproveitar um pouco mais da irresponsabilidade da
adolescência, enquanto a vida adulta não nos engole.
Vizinhos (Neighbors, 2014 / EUA)
Direção: Nicholas Stoller
Roteiro: Andrew J. Cohen, Brendan O'Brien
Com: Seth Rogen, Rose Byrne, Zac Efron, Dave Franco
Duração: 97 min.