
Não que seja algo descartável. Mamonas Pra Sempre é um registro bastante vasto da carreira dos meninos, desde a tentativa de banda Utopia, passando pela conquista do Brasil e o fim inesperado. Mas, é tudo correto demais, cartesiano demais. Mesmo sendo fã da banda, o espectador acaba não se empolgando ou se emocionando como poderia. O filme explora pouco toda a irreverência do grupo e até mesmo suas músicas, focando mais na construção da trajetória e nas curiosidades de bastidores.

A introdução do filme foca na Banda Utopia, dedica muito tempo a essa fase do grupo, trazendo diversas curiosidades pouco conhecidas e pouco exploradas nos diversos especiais após a morte dos integrantes. Há muita imagem caseira feita pelos próprios integrantes, criando um clima intimista, quase familiar. É como se estivéssemos vendo aqueles filmes que os parentes fazem e reúnem a família para ver.
Quando os Mamonas surgem na tela, as imagens caseiras se misturam a imagens de arquivo de televisões. Além dos depoimentos de familiares e empresários. Mas, tudo continua com pouca empolgação. Quase cumprindo um ritual. Não há criatividade, muito menos irreverência na montagem. Em nenhum momento sentimos o que o grupo passava aos fãs.

Talvez falte ao diretor Cláudio Kahns e à roteirista Diana Zatz Muss o espírito Mamonas Assassinas. Coragem para arriscar outros formatos, brincar mais com a montagem, com as inserções, até mesmo com os depoimentos. Do jeito que se apresenta, Mamonas Pra Sempre tem cara de telereportagem longa.
Ainda assim, o fato de trazer de volta a história do grupo, com diversas curiosidades e tantas cenas de arquivo pessoal, é um presente para o fãs. Uma forma de matar a saudade desses meninos que em um ano fizeram tanto e movimentaram a música popular brasileira como verdadeiros fenômenos inexplicáveis. Com criatividade, talento e simpatia, Dinho, Bento, Júlio, Samuel e Sérgio marcaram o cenário musical para sempre.
Mamonas Pra Sempre (2009 / Brasil)
Direção: Cláudio Kahns
Roteiro: Diana Zatz Muss
Duração: 84 min.